segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mitologia Grega – Parte 3

Seguindo com meu relato sobre a mitologia grega (já abordada na primeira e na segunda parte), vamos partir para o pai dos deuses, o soberano do Olimpo. Aquele que precisou travar inúmeras batalhas para mostrar sua hegemonia, que teve várias mulheres, mas não foi fiel a nenhuma, somente ao seu ideal, ter uma casta vasta e que pudesse lutar por ele. Estamos falando de Zeus. Hoje falarei sobre sua ascenção, suas batalhas e seus amores. Leiam e apreciem:

greek-mythology-zeus-temple ZEUS, SENHOR DOS DEUSES

Já na condição de rei e senhor do mundo, Cronos desposou sua irmã Rea e com ela teve seis filhos: Deméter, Hades, Hera, Héstia, Poseidon e Zeus. Sabendo através de um oráculo de seu pai, Urano e sua mãe, Gaia, que um de seus filhos viria a destroná-lo um dia, como ele o havia feito com seu pai, ele devorou seguidamente, logo após o nascimento, Deméter, Hades, Hera, Héstia e Poseidon. Indignada com o infanticídio cometido pelo marido, Rea, sentido a hora de dar Zeus à luz, Foi pari-lo secretamente em Dicte, ilha de Creta. Para enganar Cronos, Ela envolveu uma pedra com fraldas e entregou-a ao marido que a devorou. Amaltéia, uma ninfa* - em outra variante uma cabra temida pelos Titãs - , amamentou Zeus e protegeu-o em sua caverna da ira de Cronos, e para abafar o choro do deus-menino, ela pôs perto da caverna os Curetes – Ácmon, Damneu, Ideu, Milisseu, Minias, Ocítoo e Primneu – que o protegeriam com seus cantos e danças ruidosas. A irmã de Amaltéia, Melissa, alimentou Zeus com mel puro.

513px-Bust_of_Zeus Chegando a fase adulta, Zeus decidiu tomar o poder dos céus, até agora pertencido a Cronos. Com isso ele foi a procura de Métis, filha de Oceano e Tetis, Titãs do mar, de quem recebeu uma poção mágica. Ordenando a mãe, Rea que desse esta poção a Cronos, Zeus conseguira que este vomitasse todos os seus irmãos, que o ajudaram a derrotar todos os Titãs e expulsá-los de Urano(céu). Tendo o auxílio dos Hecatônqueires e dos Ciclopes, por conselho de Gaia, sua avó, a vitória foi mais que definitiva.

Após isso feito, houve um sorteio entre os irmãos para saber quem ficaria aonde. Zeus recebeu o reino de Urano, Poseidon recebeu os mares para governar e Hades ficou com o Inferno. Mais tarde, Zeus decretou que os Titãs deveriam ser confinados ao Tártaro, injuriada com isso, Gaia ordenou aos Gigantes que atacassem os deuses olímpicos, e mais uma vez, após uma batalha prolongada, o deuses venceram e confinaram também os Gigantes Hecatônqueires ao mesmo destino que os Titãs.

A última e mais ardilosa batalha enfrentada por Zeus foi contra Tífon, um monstro terrível filho de Gaia e do Tártaro.

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ZEUS x TÍFON – ÊQUIDNA

Tifón Tífon, filho de Gaia com o Tártaro, era um ser horrível, meio homem e meio monstro, a criatura mais alta existente no planeta, a tal ponto que sua cabeça atingia as estrelas, possuía uma força descomunal, tinha olhos flamejantes e o corpo da cintura para baixo, envolto de serpentes. Quando ele abria os braços, suas mãos tocavam simultaneamente o oriente e o ocidente. Em vez de dedos mas mãos, elas tinham cem cabeças de dragão.

Após a derrota dos Hecatonqueires, Gaia foi a Hera difamá-lo. Esta pediu vingança a seu pai, Cronos, que lhe deu dois ovos cobertos com seu sêmen. Hera os enterrou e deles saiu Tífon, que somente sua força já era o bastante para destronar o próprio Zeus.

Confiante em si mesmo, Tífon atacou Urano(o céu), e somente Zeus e Athena, filha deste com Métis, o enfrentaram, enquanto os demais deuses fugiram para o Egito. Com os raios feitos pelos ciclopes, Arges, Brontes e Esteropés, Zeus alvejou Tífon e depois golpeou-o com sua foice divina, fabricada por Hefesto, seu filho com Hera, mas apenas feriu o gigante que reagiu e tomou-lhe a foice, cortando os tendões dos braços e das pernas de Zeus com ela. Tendo feito isso, Tífon arrastou o deus até a Cílicia, prende-o em uma gruta chamada Corícia, ocultando os tendões em uma pele de urso e deixando-os sobre a guarda de Delfine, um dragão que da cintura para cima é uma mulher e da cintura para baixo é uma serpente.

Conseguindo passar pela vigilância de Delfine, Hermes, filho de Zeus e Maia, uma ninfa e seu filho, Pan, conseguiram recuperar os tendões de Zeus e, depois repuseram nele, que imediatamente recuperou sua força e voltou a Urano, para retomar o que era seu por direito.

Após uma longa perseguição, Zeus fulminou Tífon com seus raios sob o Monte Etna, quando eles atravessavam o mar da Sicília. Tífon ficou aprisionado dentro do monte de onde dizem que sua fúria saía através das lavas que de lá jorravam.

Durante seu período de ascensão, Tífon teve como parceira a Êquidna, um monstro em forma de mulher que da cintura para baixo em vez de pernas eram serpentes. Chegaram a se unir após este Ter largado Zeus em uma gruta na Cílicia. Com Êquidna, Tífon teve quatro filhos: Ortro, um monstro de várias cabeças e corpo de serpente, guardião do rebanho de Geríon; Cérbero, um monstro com três cabeças de cão, uma serpente no lugar da cauda e grande quantidade de serpentes no dorso, era guardião do portão do Inferno, morada de Hades; Hidra de Lerna, monstro em forma de serpente com cem cabeças; Quimera, um monstro que possuía a cabeça de leão, corpo de cabra e da cintura para baixo corpo de serpente. Com seu filho Ortro, Êquidna teve ainda mais dois filhos: Esfinge, um monstro com cabeça de mulher, corpo de leoa e asas de

uma ave de rapina, tinha o costume de devorar o mortais que não descobrissem seus enigmas; Leão de Neméia, um leão monstruoso e invulnerável, enviado por Selene (a lua) para a região de Neméia aonde devorava seus habitantes e seus rebanhos.

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OS AMORES DE ZEUS

Zeus Após muitas batalhas, Zeus decidiu se estabelecer em um local e escolheu o Olimpo, um monte localizado na fronteira da Tessália com a Macedônia. Lá ele criou sua morada e, de lá controlava todos os mortais.

Tudo em ordem, Zeus foi a Oceano e lhe pediu Métis, sua filha, em casamento. Ele achava que tinha uma dívida com a sua prima por essa ter-lhe ajudado na luta contra Cronos.

Métis de começo se esquivou das investidas de Zeus e de suas metamorfoses, mas no final terminou cedendo. Ficou grávida e quando estava para ter um filho do Deus supremo, este a engoliu. Fez isso pois tinha sabido com o Oráculo de Gaia que Métis viria a ter uma filha dele e que esta viria a ter um filho que o destronaria.

Prometeu, primo de Zeus, rachou-lhe a cabeça com um machado e de lá saiu Atena, já adulta e armada.

Depois disso, Zeus desposou Têmis, sua tia , e com ela teve as Horas, chamadas respectivamente como Dike (a Justiça), Irene (a Paz) e Eumonima (a Ordem) e depois nasceram as Moiras, Átropos, Clotó e Láquesis, que determinavam a vida que cada Deus ou mortal da Terra, desde seu nascimento até a sua morte, com um fio em que cada uma tinha uma determinação. Enquanto uma fiava, a outra desenrolava e a terceira cortava com a tesoura determinando o fim da vida de alguém.

Zeus desposou outra tia sua, Dione, com quem teve Afrodite, que nasceu das espumas do mar.

Zeus veio a desposar várias outras: Eurímone, irmã da falecida Métis, ele teve as Cárites (Graças), Aglaia, Eufrosine e Talia (ou Táleia), divindades da beleza que adornavam a natureza e alegravam os deuses e os homens cantando e dançando em coros. Apareciam igualmente no séquito de Atena, deusa dos trabalhos manuais femininos e da atividade intelectual, como no de Afrodite, deusa da beleza e do amor; a titanide Mnemosine (a Memória), com quem teve as musas, Calíope, Clio, Euterpe, Erato, Terpsícore, Melpomene, Talia, Polímnia e Urânia. Elas, junto com as Cárites, cantavam e dançavam nas festas dos deuses, inspiravam também muitos mortais em escultoras e pintoras, mas devido ao zelo por suas qualidades, elas chegavam a punir alguns que as desafiavam.

As Musas chegavam a se dividir, Caliope era a musa dos poemas épicos, Clio era da história, Euterpe da música das flautas, Erato da poesia lírica, Terpsícore da dança, Melpomene da tragédia, Talia da comédia, Polímnia dos hinos sagrados e Urânia da astronomia; Letó, sua prima, ele teve os Gêmeos Apolo e Ártemis; e com sua irmã Deméter, ele teve Perséfone, esposa de seu irmão Hades, deus do Inferno.

Mas, a verdadeira união de Zeus foi com Hera, deusa do casamento e sua irmã. Se uniu a ela logo após deixar Têmis, sendo então todas as outras uniões adultérios cometidos por Zeus.

Com Hera, Zeus teve quatro filhos: Ares, Ilítia, Hebe e Hefesto. Ares era o deus da guerra e das Amazonas, Ilítia era a deusa das parteiras e sempre ajudava sua mãe em perseguições aos seus meio-irmãos ou as amantes de seu pai, Hebe era a deusa da juventude, ela preparava o banho de Ares e ajudava sua mãe a aprontar o carro desta, dançava com a Musas e as Cárites enquanto seu meio irmão Apolo tocava sua lira, e servia o néctar aos deuses.

zeus_1_lg Zeus foi infiel várias outras vezes, mas com mortais de belezas divinas. Muitas dessas vezes ele assumia aparências diferentes para fugir dos ciúmes doentio de Hera. Muitas mortais foram possuídas por Zeus: Alcmene, mãe de Herácles, teve-o como amante por ocasião de seu marido, Anfitrião, ter saído em batalha; com Plutó, filha de Atlas, ele teve Tântalo, que consequentemente se unindo a uma plêiade, Dione, ele teve Pêlops e Níobe, e por via de Pêlops, nasceram Atreu e Tiestes, e na geração seguinte surgiram Agamêmnon e Menelau, todos esses devido a sua ligação divina eram grandes guerreiros; com a ninfa Egina, filha do deus do rio Ásopo, que ele raptou, Zeus teve Éaco, que por morar sozinho na ilha em que nascera, pediu a seu pai para transformar as formigas em humanos, atendendo a seu pedido, O Deus concebeu humanidade as formigas e este povo ficou conhecido como os Mirmidões (myrmex em grego significa “formigas”). Éaco se uniu a Endeís, filha de Cirón e de Caricló, e teve com ela Telamon e Peleu. De uma segunda união com Psamaté, uma nereide, ele teve Foco, um grande atleta que foi morto pelo seus meio-irmãos. Telamon se refugiou em Salamina e se tornou rei. Teve, com sua esposa – da qual o nome não é mencionado nas história – Ájax. Peleu foi purificado pelo rei de Ftia e logo após a morte deste se tornou rei também, da sua união com a nereide Têtis, nasceu Aquiles.

Zeus teve muitas outras aventuras amorosas, como exemplos sua união com a mortal Nióbe, teve Argos e Pélasgo, com a união com a ninfa Calisto teve Arcás, herói dos arcádios e com Leda ele teve Pólux, Cástor e Helena.

Zeus não se limitava a amar incansavelmente somente mulheres, chegou uma vez a raptar o troiano Ganimedes, quem amou com extremo fervor.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MItologia Grega – Parte 2

(acesse a primeira parte aqui)

Vamos dar continuidade ao que eu publicava no Pop News, sobre Mitologia grega.

Ah sim, o texto foi concebido por mim, mas foi através de pesquisas em cima do meu “Livro de Ouro da Mitologia” e o “Dicionário da Mitologia Grega e Romana”. Minha paixão pela mitologia grega me fez a escrever esse texto, pois tudo que eu encontrava, era direcionado as crianças ou muito antigo. Vamos agora nos direcionar ao Olímpicos, que habitavam o Olimpo e cuidavam da humanidade.

OS OLÍMPICOSolimpo

O Olimpo deixou de ser localizado em algum lugar e tornou um reino divino em Urano (o Céu), que abrigava todos os deuses nele.

Como mencionado antes, Zeus era o regente, sentava-se em um trono e ao seu lado estava Hera, sua irmã e esposa.

olimpicosHera, com também já foi mencionado anteriormente, era mãe de quatro dos filhos de Zeus: Ares, Ilítia, Hebe e Hefesto. Era muito ciumenta e foi a causadora de várias fugas de mortais ou deusas de menor escalão para salvar seus filho da ira da deusa-mãe.

Muitos outros filhos de Zeus vieram a morar no Olimpo, entre eles estão: Hermes, Apolo, Ártemis, Atena, Afrodite e Dioniso. Seus irmãos, também tomaram o Olimpo como morada: Poseidon, Deméter e Héstia, não fazendo parte somente Hades, pois tinha o Inferno e o Tártaro para tomar conta. Poseidon, apesar de ser o senhor dos mares, fazia parte da casta olímpica.

Vários outros deuses residiam no Olimpo, alguns filhos e filhas de Zeus com outras deusas e mortais, e outros netos dele. O Olimpo era um paraíso, só perdia para o Elísion, a morada dos guerreiros mortos e das mortais da qual Zeus possuiu.

Como já mencionei, muitos deuses moravam no paraíso dos deuses, mas somente doze desses deuses poderiam comandar as coisas na Terra, dizer o que iria acontecer com cada um dos mortais. A partir daqui começarei a falar desses deuses e de suas aventuras e desventuras.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Elefante e o Beija-flor

Sabe, há certos contos ou estórias que nos fazem raciocinar. Algumas são puros provérbios, outras são belos ensinamento e algumas são estimulos. Esse é o caso do conto “O Elefante e o Beija-Flor”.

Eu li que o sociólogo Hebert José de Sousa, o Betinho, sempre o usava para mostrar que as pessoas devem sempre fazer mais por aquilo que acreditam.

Betinho, como seu irmão, o desenhista Henfil, herdou da mãe a hemofilia. Logo quando descobriram o vírus e as formas de contágio, ambos contrariam-na. Henfil morreu no auge da carreira, mas Betinho ainda permaneceu. Criou a Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida, que combatia a fome no Brasil.

Betinho veio a falacer em 1997, mas deixou um ensinamento que todos devem se guiar: “Eu estou fazendo a minha parte, e você?”

Segue abaixo o conto. Ah, quanto à acoluna Mitologia Grega, amanhã eu coloco outra parte:

 beija-flor e elefanteO elefante e o beija-flor

Certo dia, houve um grande incêndio na floresta, e todas as áreas foram cercadas por um fogo denso. Os animais, atônitos, não sabiam o que fazer e nem para onde correr. De repente, todos pararam e viram que o beija-flor ia até a margem do rio, mergulhava, pegava em seu bico algumas gotas de água, voava até o fogo e deixava a gotinha cair sobre as labaredas. O elefante, vendo aquilo, disse-lhe: “Você está louco? Acredita que esta simples gota pode apagar um incêndio tão grande?”. Ao que o passarinho respondeu: “Eu estou fazendo a minha parte e se todo mundo ajudar com certeza conseguiremos alguma coisa”

Felicidade  a todos!

sábado, 22 de novembro de 2008

Mitologia Grega – Parte 1

É, tá complicado terminar o conto "Discesa", mas acredito que a partir da segunda quinzena de dezembro de 2008, eu retorne a ele, já que vou visitar o Batalhão de Infantaria do Espírito Santo, para fazer uma pesquisa sobre a participação do meu estado durante a Segunda Guerra Mundial, pois infelizmente esse tipo de informação eu não consigo na internet, ainda.
Nesse caso então decidi começar a falar sobre minha crença (novamente!), mas com mais detalhes, como eu fazia na minha coluna no POP NEWS. Primeiro: O que era o Pop News? Era um jornal interativo criado pelo meu irmão, Armando Rogério Brandão Guimarãesa Junior (ele adora a extensão do próprio nome) e alguns amigos dele, aonde o leitor fazia a notícia. Era uma idéia muito boa, mas que infelizmente não foi a frente. Se quiserem saber mais, entra no Blog do Solteirão.
Continuando, eu decidi pedir a eles para escrever sobre mitologia grega, a história que poucas pessoas conhecem, a não ser que dediquem a pesquisas e estudos dos mitos. Parando um pouco com essa história, vamos partir para os finalmente:

(Mitologia, s. f. História das divindades do paganismo; ciência dos mitos; conjunto de fábulas; explicação dos mitos.)

O COMEÇO

“As religiões da Grécia e da Roma antigas desapareceram. As chamadas divindades do Olimpo não têm mais um só homem que as cultue, entre os vivos. Já não pertencem à teologia, mas a literatura e ao bom gosto. Ainda persistem, e persistirão, pois estão demasiadamente vinculadas às mais notáveis produções da poesia e das belas artes, antigas e modernas, para caírem no esquecimento.”¹ Isso é uma verdade. A muito não se ouve falar dos deuses Gregos e romanos como seres de crença, tudo se centralizar em um Deus único, Onipresente e Onipotente, que não divide suas obrigações com outros deuses pois é Luz e pode estar em qualquer lugar.

Ao contrário do deus hebráico, os olímpicos, se dividiam em tarefas, um cuidava do campo, um cuidava da música, outro do amor, outro da guerra, tinha até aquele que cuidava dos ladrões.

Chaos Havia também para eles uma explicação para a formação do universo. De Caos, a personificação da desordem, surgiram Nix (a Noite), Êrebo (as Trevas), Hemera (o Dia) e Áiter (o Éter). Do Ovo de Nix, nasceu Eros (o Amor). Após o nascimento dessas personificações, nasceu Gaia (a Terra), que sozinha gerou Urano (o Céu) e Ponto (o Mar). Depois disso, Urano, que a cobria, fez com que ela gerasse os Titãs: Oceano, Hiperíon, Crio, Coio, Jápeto e Cronos; e as Titanides: Téia, Tetis, Têmis, Rea, Febe e Mnemosine; também surgiram dessa união os cíclopes, monstros gigantescos de um olho somente no meio da testa, seus nomes eram Arges, Brontes e Esteropés e os Hecatônqueires, gigantes que possuíam cem braços e cinqüentas cabeças, seus nomes eram Egêon, Kottos e Giges, eram conhecidos por sua violência.

gaia Gaia, desgostosa de tanto procriar, pediu aos seus filhos proteção contra a sagacidade amorosa de Urano, o único que concordou em ajudá-la foi seu filho mais novo Cronos, que armado com uma foice afiadíssima, preparou uma emboscada contra o pai, castrou-o e lançou-lhe os testículos em Ponto. A mutilação teria ocorrido no Cabo Drêpanon (em grego = Foice), e do sangue na foice teriam surgido os Feácios.

Em seguida, Cronos destronou Urano, seu pai e confinou seus irmãos germanos, os gigantes Hecatônqueires o os Cíclopes no Tártaro, região situada nas profundezas extremas do mundo, abaixo do próprio Inferno, de onde os havia libertado.

¹ Livro de Ouro da Mitologia, Thomas Bullfinch – Ed. Martin Claret - 2000

sábado, 6 de setembro de 2008

O Melhor Amigo

No dia 12/09/2008, completará um ano que perdi meu melhor e mais fiel amigo, Benji.

Benji2 Após treze anos de convivência, ele nos deixou para latir nos ouvidos dos deuses e alegrar os Campos Elíseos.

Benji chegou aqui em casa com o nome de Zigh, pois pertencia a outra família. Raquitico, mal cuidado, tratei-o como um filho e cuidei dele com muito amor e carinho. Era sempre muito bom quando chegávamos em casa e tínhamos sua recepção calorosa, sempre contente, sempre a fim de ser afagado. Lógico que perdi várias vezes a calma com ele, mas nunca contei tanto com alguém como poderia contar com ele. Era meu verdadeiro confidente, meu irmão (sem desmerecer os outros).

Julia 1 Ano 095 Sempre é dificil de se falar de alguém amado, mas é sempre bom lembrar o quanto ele nos é querido. Alguns pensaram: "Mas era só um cachorro!", pois é, ele era um cachorro, mas não me lembro de ninguém demonstrar maior alegria em me ver do que ele. Ele sentia carinho por mim, sempre me mantinha em alerta, pois quando estava na janela, latia pra quem entrasse pelo portão do meu prédio. Conseguia ser a pessoa mais feliz de casa, mesmo quando todos estavam desanimados, sempre era o consolo para apoiar quando eu estava chorando. Respeitava a mim, a minha mãe, meu irmão, minha cunhada e minha sobrinha mais velha, Julia.

Quando me recordo dele, me recordo de suas corridas desenfreadas entre a poltrona de casa e a cama do quarto de minha mãe, dando pulos como se fosse um gato. De nossos passeios, as altas horas da madrugada. De seu carinho pelas minhas ex-namoradas, respeitando-as e cativando-as. Meu "branquinho", meu "pretinho" (devido suas orelhas de cor escura). Meu eterno parceiro, meu eterno irmão-filho-amigo.

Quando se iniciou seu processo de partida, começou com bastante dor, devido a um enorme tumor lombar, mas ele suportou e nunca deixou de ser carinhoso ou parceiro, pelo contrário, continuava a brincar. Quando precisou ficar internado, após uma operação complicada, não pude vê-lo e, durante essa internação, ele partiu, nos deixando. Foi algo como perder parte de mim, como tirarem uma enorme lasca do meu coração e nunca mais devolvê-la. Benji hoje alegra a outras pessoas, aos meus avôs e avós, que também já partiram, a Brisa, uma cadela que minha avó Alcista teve em sua casa. A Tostão, cachorro que meu pai e meu tio Arthur tiveram em sua infância. E ao Toffy, Nessa, que hoje continua vivendo grandes aventuras com o Benji, lá em cima, olhando para todos nós.

Deixo aqui minha mensagem a todos os donos de cães (ou cachorros): Ame-os, adore-os, trate-os como parte de suas vidas. Eles são nossos eternos companheiros e amigos e sempre, sempre, irão nos amar, mesmo que cheguemos a ofendê-los ou maltratá-los. Eles sempre estarão ao nosso alcance, desde que convivamos com eles e demonstremos o quanto são importantes para nós.

Ao meu companheiro, amigo, irmão, confidente e parceiro, deixo a minha mensagem: ESTOU COM MUITAS DE SAUDADES! Até uma próxima vida, parceiro!

toffy e benji

sexta-feira, 18 de julho de 2008

The Dark Knight - opinião


(A imagem acima foi pega no blog Antigravidade. Valeu pessoal!)
Hoje tinha minha alma lavada por uma enxurrada.
Assisti a Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), no Cinemark Vitória 5, as 18:30 (lógico, a sessão começou um pouco atrasada, por causa das pessoas que iam chegando). Muito barulho antes de começar o filme. Uns moleques falando: "O Batman morre!", outros conversando sobre trivialidades, mas quando começaram os trailers, pairou um pequeno silêncio, e depois, quando as luzaes definitivamente se apagaram e o símbolo da Warner apareceu, o silêncio foi absoluto.
Antes de mais nada, não sou crítico de cinema, só um fanboy expressando sua admiração pelo filme (recomendo quem ainda não assistiu, que não leia, pois conterá muitos spoilers. Assista antes, leia depois).
O filme prima pela beleza do que os fãs do Batman gostam, muita ação, pancadaria, ação ininterrupta, suspense, ação delirante, insanidade e loucura extrema.
Comecemos dizendo, o Batman não é um assassino, e como o próprio Comissário de Polícia James Gordon (Gary Oldman) diz no final : - "Ele não é um herói!(...) Ele é o que Gotham precisa".
Se existe algo para dizer sobre o Coringa (Heath Ledger) é: Ele é insano! Ele é demente! Ele é um "Agente do Caos"! Alguns poderão dizer que a atuação de Ledger não foi primorosa e que não foi o melhor trabalho dele, mas desafio a qualquer um a dizer que reconheceram Ledger por trás da maquiagem, por trás da loucura projetada por ele para as câmeras. Seu primeiro momento já fala por si, no assalto ao banco. Todas suas aparições são fantásticas, mesmo a cena que diziam que seria cortada, quando ele se finge de morto, é algo fantástico, e mesmo se quisessem não poderiam cortá-la, pois ela fazia parte do contexto da cena que deu a frase que todos mais insistem em repetir: "WHY SO SERIOUS!". A cena da explosão do hospital me levou a gargalhada, por mais demente que tenha sido. Tudo nele demonstrava o quão extremo ele precisou chegar a loucura da qual o Coringa necessitava para ressuscitar nos cinemas.
Aqueles que tanto reclamaram das cenas de luta fechada, agora não tem do que falar, pois o Batman (Christian Bale) mostra do que é capaz, com cenas de lutas abertas, derrubando com força e vontade desde bandidos, a imitadores e policiais. Temos cenas de ação para todos os gostos e várias coisas que foram lidas durante o passar dos anos de suposições, acontecem no filme, principalmente o visor sobre os olhos. Como sempre ele também possui um motivo para existir, e Christopher Nolan e seu irmão, souberam muito bem como usá-lo.
O mito do Batman se fortalece no cinema, pois se todos acharam Begins formidável, eu digo que O Cavaleiro das Trevas é excepcional.
Harvey Dent (Aaron Eckhart) mostra que tanto como promotor e Duas Caras, sabe como trabalhar pela justiça (mesmo que deturpada). Sua transformação, o começo de sua insanidade, sua perseguição aos assassinos de Rachel (Maggie Gyllenhall), mostram que ele é definitivamente um dos maiores inimigos do Batman.
Batman - O Cavaleiro das Trevas é um filme que ficará na memória dos fãs (e não-fãs), pois trouxe algo além do imaginável em um filme de herói... NÃO!!! Ele não é um herói! Ele é um CAVALEIRO DAS TREVAS!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Corr Sairyi

Por falta de tempo para me aprofundar mais na pesquisa para a segunda parte de Em Busca do Conhecimento, Discesa, decidi retornar ao blog para publicar uma história sobre um dos personagens principais do meu romance de ficção científica, Galaxya.
A história que vocês lerão a seguir é de Corr Sairyi, mercenário que tem como objetivo, ao terminar sua última missão, encontrar o Tecno-planeta Vivo Galaxya, criado pelos Dommæns no ínicio dos tempos. Boa leitura!
Rodrigo Scandian nascera no começo do século XXXV. Quando estava com quinze anos de idade, assistiu a primeira viagem tripulada para fora do Sistema Solar.
A nave Mæsttra era pilotada pelo capitão Jules Asimov. Ao ver aquilo, Rodrigo decidiu que se tornaria um piloto espacial, mas as coisas mudaram quando ele se formou. Apesar de ter feito carreira militar e ter chegado ao posto de tenente, Rodrigo preferiu se dirigir a ciência espacial, que crescia muito desde que a Terra começara a integrar a Confederação Galaxial.
Se tornou cientista-chefe da Associação Mundial de Pesquisa, Desenvolvimento e Ciência da ONU e lá conheceu sua esposa, Samara Easton. Se casaram três anos após se conhecerem, mas a vida de Rodrigo não era tão simples. Como cientista-chefe tinha de fazer várias excursões aos planetas associados da Confederação. Em uma dessas viagens, onde acompanhava a embaixatriz do planeta Agufalgav, viu uma união crescer entre seu amigo Skill Hawkesley e ela.
Dentro de seu grupo existiam vários cientistas, entre eles dois que estudavam corpos celestes, Michael e Denitra Menken, também desenvolverão uma relação e se casaram.
Eles viviam em um observatório e lá estudavam um fragmento de uma estrela-anã amarela, como o Sol, mas não tomaram as devidas providências, pois o nível de radiação aparentemente era muito baixo, mesmo assim foram contaminados. Denitra, ficou grávida e terminou por falecer ao ter a filha, cujo o parto foi feito pelo próprio pai. Marcelle Menken, o nome da menina, foi criada dentro de um domo, que mantinha seu corpo estável, já que ela absorvia energia estelar. Michael, como um bom cientista contou a Rodrigo sobre o acontecimento e este relatou ao secretário responsável pela Associação, Victor Cambasi.
O observatório de Michael Menken foi invadido e todo seu material de pesquisa foi tomado pela Associação, como propriedade do órgão, até mesmo sua filha. Quando estava a beira da morte, condenou Rodrigo por aquilo, fazendo-o se sentir muito mal.
Como ajudara a promover Cambasi a Confederado da Terra, junto à Confederação, Rodrigo se tornou secretário da Associação, assumindo o posto burocrático, que nunca gostou.
Depois de retornar de uma de suas viagens, descobre que sua esposa e filha morreram em um acidente. Daí então Rodrigo fica inconsolável e decide por largar a Associação, só que antes liberta Marcelle Menken, colocando-a em uma cápsula de fuga experimentale sobre animação suspensa, mas sem destino.
Retorna ao Força Terra-Espaço, onde começara e ao assumir o posto de major, como seu amigo Skill, se torna o primeiro oficial da Força Expedicionária Integrada, que tinha o intuito de agir fora da lei decretada pela Confederação à Terra. Através da FEI eram comercializados armamentos e tecnologias bélicas, além de participar de batalhas e guerras, sem a permissão e autorização direta da Confederação.
Rodrigo recebeu o apelido de Corsário, pois fazia o trabalho sujo para o governo da Terra.
Em uma missão no Sistema Vertus, no planeta Maghnussy, Corsário deveria assassinar o líder da rebelião que acontecia no planeta. Mesmo fazendo os mais diversos trabalhos, assassinato nunca fora uma prática na qual Corsário fosse fã. Quando descobre que o líder da rebelião é o filho do soberano do planeta, ele desiste, mas sofre retaliação por causa disso. Corsário é pego numa emboscada na fronteira do Sistema Krarr por naves darkhyaniis.
Resgatado por phællansiis a beira da morte, Corsário tem uma recuperação extraordinária. No tempo que vive em Phællans, aprende tudo que precisa sobre a história da Confederação e suas leis, além de aprender sobre as Leis dos Guerreiros, há muito tempo perdida. Com a tecnologia do planeta, ele reconstrói sua nave e a denomina Steel Eagle I. Ela possui I.A. e é a melhor companheira de Corsário. Ele procura o planeta Crysien para ser adotado por eles e se autononima Corr Sairyi.
Após isso, retorna a Maghnussy e decide ajudar o filho do soberano na tomada de poder e, durante o processo de tomada, o soberano é morto, sendo Corr Sairyi considerado culpado.
Isso não o faz parar, ele retorna a Agufalgav, onde Skill Hawkesley está para desposar H-Kik e para isso precisa participar de um campeonato de vida ou morte. Os dois são auxiliados pelo irmão de H-Kik, H-Glorr, o único Asa Negra - desde H-Klon, o deus criador do planeta.
Corr Sairyi segue seu caminho, recebendo missões nas quais a Confederação prefere não intervir e durante suas viagens, encontra dois Dommæns, Glug e Blub. Eles lhe contaram sobre o Galaxya, que até então era um mito que Corr Sairyi lera nos livros de Phællans, e também lhe ensinaram sobre a tecnologia dos campos energéticos, que ele empregou no Steel Eagle I.
O SE I - apelido carinhoso que Corr Sairyi dera a sua nave - é uma nave munida dos mais diversos campos energéticos. Todos os seres vivos, residentes nos planetas que fazem parte da Confederação Galaxial, possuem um chip neural, que os interligam a Rede de Informação Anima Mundi, desenvolvida pela Terra. Sendo um dos desenvolvedores da tecnologia, Corr Sairyi, com a ajuda de SE I, decide modificar a configuração do seu chip neural, para que não seja rastreado.
As marcas registradas de Corr Sairyi são seu tapa-olho, que esconde uma enorme cicatriz sobre o olho direito, para sempre lhe lembrar em somente confiar em si mesmo, e sua espada, feita de um metal translucido azulado, inquebrável e que não perde a bainha, de desgin bem diferente.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Dia das mães

Acho estranho ter somente um dia das mães, mas vim a descobrir que o segundo domingo de maio como o dia delas foi decretado pelo presidente Getulio Vargas, mas isso se tornou mais um dia comerciável do que um dia das mães mesmo. É mais um dia das pessoas distribuirem presentes do que lembrar que a mulher que os colocou no mundo, é um dos seres mais importantes de suas vidas.
Tá, to reclamando muito, mas não vim aqui no meu próprio blog para isso, vim para falar sobre aquela que me colocou aqui, que me concebeu a vida e cuida de mim, acima de tudo.
Sei que existem vários tipos de mãe e que a maioria das pessoas consideram a sua única, eu sou uma dessas pessoas. O nome da mulher que eu homenageio aqui é Aédyla. Um nome raro, só encontrei três pessoas com o mesmo nome aqui na internet, e todas são bem jovens, sendo duas daqui do Brasil.
Alguns acham o nome de minha mãe dificil, uns a chamam de "Édila", outros de "Edna", mas talvez por ser filho, nunca vi essa dificuldade, pelo contrário, sempre achei um nome muito bonito, por ser bem diferente.
Minha mãe sempre foi uma batalhadora, sempre fazendo de tudo para eu e meu irmão termos tudo para o nosso próprio bem. Não desvalorizo nenhuma outra mãe, pois acredito que ser mãe é isso, as vezes sacrificar-se para que o seu filho tenha o que há de melhor no mundo, dar-se para que seus filhos cresçam e se desenvolvam, sendo programadores de sistemas ou mesmo tentando serem escritores ou atores.
O sacríficio, as vezes, vem de outra forma, com o término de uma relação, na qual você percebe uma certa irresponsabilidade de seu parceiro e, para o melhor daqueles que lhe importam, você termina, mesmo não sabendo como será o futuro dali para frente.
As vezes achei que minha mãe era fraca - juro, eu achei - pois aceitava que seus amigos lhe passassem para trás, mas era o contrário, ela valoriza as pessoas a volta dela, ao contrário do que as pessoas faziam, já que usurpavam o que ela conseguia com esforço e muita luta.
Poucas pessoas apoiaram minha mãe quando ela veio a encerrar sua relação, e uma dessas pessoas foi minha segunda mãe, minha madrinha, Miriam.
As duas são grandes amigas, se apóiam mutuamente e sempre estão lá, quando uma precisa da outra, duas verdadeiras mães.
Os problemas, as dificuldades, lógico que surgiram, e por vezes abalaram minha mãe, mas ela sempre dava a volta por cima, a força dela fortalecia a mim e meu irmão, fazendo-nos acreditar nela, que ela conseguiria, e conseguia.
Com seu apoio, meu irmão se formou como analista de sistemas. Com seu apoio, eu consegui muitas vezes subir no palco - mesmo sendo numa única peça - e atuar.
Uma mãe nos dá força, nos levanta, mesmo quando estamos para baixo, nos valoriza, mesmo quando nos achamos desprezíveis, nos alimentam, nos vestem, nos dão amor, carinho e tudo que as vezes merecemos e outras não.
Um dia para minha mãe é muito pouco para mim, por isso eu digo - como ela falava quando eu era pequeno:
- Agradeço a você por ser minha mãe, D. Aédyla. Pois sem você minha vida seria um nada e muito lhe devo, pois se não fosse por tudo que me deu, até hoje, não saberia o que seria de mim. Obrigado mãe!

sábado, 19 de abril de 2008

Relacionamento

Bem, enquanto não termino meu segundo conto, vamos falar sobre um fantasma que me atormenta chamado relacionamento. Tá, vai ficar com cara de coisa "miguxa", mas não tem como EU fugir desse assunto, já que eu sempre tive dificuldade de manter um.
Quando comecei a me dedicar a relações amorosas, acreditava naquela histórinha de que "seria para sempre", ledo engano, a menina não me suportou por três meses.
Sempre fui um cara chato, que se preocupa em demasia com a outra, chegando a obsessão, o que leva a pessoa a enjoar de mim. Isso foi um carma na minha vida durante várias relações. A adaptação nem chega a rolar, pois em três meses, as pessoas enjoavam do meu comportamento, que chegava a duas ou três ligações em um dia. O lance é que eu nunca conseguia me expressar completamente com uma só ligação, então terminava precisando ligar novamente, pois achava que tinha esquecido de algo.
Foi incrível conhecer pelo menos duas pessoas que suportaram isso em mim e eu consegui estragar nossa relação, uma vez traindo e na outra terminando a relação.


(não mencionarei nomes) A primeira eu conheci no meu primeiro curso de teatro, em 1999. Morávamos no mesmo bairro, então pegávamos ônibus juntos. Eu acreditava que ela era noiva, então tinha receio de tentar algo (sempre fui tímido para dar a ignição numa relação), só que ela revelou que a "aliança" era um presente e não um noivado. Convidei-a para sair, irmos no cinema. O filme "Uma Carta de Amor", com Kevin Costner, quando voltamos do cinema, em frente ao prédio dela (aonde minha primeira namorada havia morado também), demos o primeiro beijo. O lance é que ela não queria namoro, então nada foi oficializado, então éramos "paquera", mas ninguém no curso de teatro poderia saber disso, até que, não sei porque cargas d'água, ela me beijou na frente de todo mundo. Daí em diante, oficializamos nosso namoro. Ela me ajudou e me incentivou várias vezes e eu a apoiei em momentos bem dificieis, um deles foi o falecimento de um tio, que a fez ficar bem mal. A relação foi uma delícia, durante dois anos, mas quando teve o primeiro abalo, eu fiz a besteira de traí-la. Contei a ela (lógico!), o que a magoou muito, só que quando ela voltou a me procurar, já estava com a pessoa que havia ficado antes.


Não me arrependo de ter ficado com a outra pessoa, mas se pudesse retornar, teria preferido ficar com minha ex. Passei um ano sem relação estável, indo e vindo entre elas, até surgir a outra que teve uma longa duração.


Foi interessante o começo dessa também, pois foi numa traição (também!... É, eu sei, isso é horrível!). Nós tínhamos saído de um show na Fafi e fomos para um barzinho, no porão do Teatro Edith Bulhões (saudades!). Ela queria conhecer uma das grandes atrizes capixabas e eu a levei para conhecê-la, depois das duas se conhecerem, ficamos sozinhos e eu as beijei. No outro dia, terminei minha relação com a pessoa que havia traído (odeio isso!), e iniciei com ela. Apoio era pouco! Ela era meu "porto seguro" (tá, isso é piegas!), podia contar com ela em qualquer momento, sempre me apoiando e dando força. Trabalhamos juntos em um espetáculo que não decolou, mas os momentos juntos sempre valiam a pena. Mas dei muitos vacilos também, ainda mais quando ela cometia erros bobos, nos quais eu não sabia e nem conseguia aceitar. Foram dois anos terminados após assistirmos a um filme (na minha vida tudo começa ou termina num filme, mas falo sobre minha mania cinéfila mais pra frente). De lá para cá, não tenho tido relações estáveis, a mais recente durou o mesmo que as anteriores, ou melhor, três meses. Parecia que eu havia regredido anos no tempo, pois minha obsessão havia voltado em alto grau, não conseguia me expressar em uma só ligação, fazendo várias.

Relações são dificeis, pois os dois devem se adaptar, mas quando você é um chato, fica dificil a outra pessoa adaptar-se a você. É incrível como as pessoas podem ter mais de uma relação estável, mesmo sendo um obsessivo-possessivo, mas eu consegui e espero um dia conseguir novamente, mas por enquanto me dedico a escrever no blog, tentar retornar ao teatro (em breve falarei sobre isso, também), escrever e dedicar-me aos estudos vampíricos.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Vampirologia

O que é ser vampirólogo?
Bem, quando as pessoas me ouvem falar - ou mesmo lêem - que eu sou vampirólogo, pensam que é porque eu acredito na existência de vampiros... É verdade, eu acredito!
Calma aí, não se prendam somente ao mito do vampiro dentuço, que bebe sangue de suas vítimas (em geral mulheres de corpos esculturais). O mito é interessante - ainda mais quando existem personagens como Vampirella -, já que de acordo com ele a pessoa que virar vampiro, ganha imortalidade, mas a realidade do vampirismo é bem pior do que isso.
Um vampyro (com "y", para diferenciar do mítico) é uma pessoa que drena o prâna (energia psíquica, vital, que mantém o corpo físico funcionando) de outro ser humano. A intenção dessa drenagem é se manter mais "forte" que aquele de quem se retira. A idéia do vampyro mitológico se desfaz quando tomamos conhecimento que qualquer um pode ser um vampyro e ele existem das mais diversas e infinitas formas. Ele pode ser somente um vampyro psiquico, ou mesmo um vampyro sexual ou emocional ou - para mim o pior deles - astral.
Um vampyro pode ser simplesmente a pessoa que está lendo, sem nem ter idéia que é um. Ele drena do ser humano e se sente bem, enquanto desgasta o outro próximo a ele. Mas nem sempre de drenagem um vampyro vive, ele pode ser também um doador, as vezes espontâneo, doa sem nem perceber que o faz.
Como saber se você é doador ou drenador? Estudando, procurando saber sobre o assunto. Não existe uma fórmula ou mesmo um tipo de cerimônia mágica, na qual você se transforma num vampyro, e não é outra pessoa te drenando que você se tornará em um, tudo é uma questão de estudo e pesquisa e - nas maiorias das vezes - muita prática.
Esqueçam - temporariamente - todos os mitos do sol, espelho, alho e objetos sagrados ou santificados. Vampyros vivem entre nós, podem ser nossos(as) colegas de trabalho, nossos(as) - melhores - amigos(as), nossas(os) namoradas(os) ou - mesmo - nossas(os) amantes. Mas não fique desconfiado da pessoa a sua volta, pois se ela quisesse lhe fazer algum mal, acredite, já teria feito. Eles vivem na nossa sociedade, não a margem dela. Eles namoram, transam, dançam, passeiam no parque - com o cachorro ou não -, frequentam barzinhos, têm amigos e vivem uma vida - quase - normal. Não são seres andróginos (como nos livros de Anne Rice), nem assassinos impiedosos (como em vários filmes de vampiros), só drenam o suficiente para a própria sobrevivência, mas lógico que com isso eles têm um objetivo, a imortalidade.
É complicado você falar que não são imortais como os míticos, mas é isso mesmo. O que se torna imortal é a memória latente.
Tenhamos a seguinte idéia: um corpo físico é uma veste, um traje, para nosso espírito, nossa essência vital. Este corpo envelhece, perde sua elasticidade e se decompõe, mas nosso espírito emerge desta estrutura e continua até a reencarnação (transmigração da alma) para outra roupagem, só que no período entre o desencarnar e o reencarnar, nossas lembranças de vidas passadas se perdem, ficando estagnadas, mas com o vampyro é um pouco diferente. Quando ele consegue desencarnar, ele se usa da essência drenada para conservar essas memórias em estado latente, para quando regressarem ao hábito de drenagem, seja mais fácil de recuperá-las. A imortalidade da memória, da lembrança, é o que torna o vampyro um ser imortal.
Vampyros não criam clãs (como pré-estabelecidos por RPGistas), muitas vezes podem vir a criar sociedades secretas, para manterem a integridade de suas práticas, mas em geral são grupos de pesquisa e estudo, no qual desenvolvem meios de praticar a drenagem sem serem percebidos ou mesmo detectados por caçadores.
Caçadores existem? Sim, eles sempre vão estar com suas estacas - lógico que isso mata! Pensa bem num maluco te enfiando isso no peito! - e seus crucifixos, tentando punir os sanguinarius (drenadores, que bebem sangue (nojento!)) e os psyvamps (drenadores de prâna). Não importa o meio, os caçadores sempre vão usar as mesmas armas: estaca, facão - para cortar a cabeça do vampi(y)ro - e o fogo, no intuito de purificar a alma do morto. Este tipo de gente é pior do que os vampyros em si, pois - na maioria das vezes - violam túmulos, sem o mínimo de respeito.
Agora vem a questão, eu sou um vampyro? Já passei por situações constrangedoras por causa desse "achismo", mas não... Definitivamente não sou um vampyro. Sou um pesquisador, um eterno estudante desse tipo - estilo - de vida que eles assumem, para manter algumas memórias vivas durante toda a eternidade da alma.
Abaixo segue o Black Veil (Véu Negro), na sua versão mais atualizada:
1-Segredo!
O Segredo assegura, protege e nos une em nosso pacto. Nosso mistério é apenas nosso, e quem quer que o decida explorar deve fazê-lo através de sua própria iniciativa e ação. Os ilusionistas brincam com nossas mentes em seus shows com truques a própria vista, assim nós vampyros também o fazemos. Honramos a escolha de um que prefere manter em segredo sua vida noturna daqueles que conhecem apenas sua vida diurna. E nunca compartilhamos essas informações sem a permissão explícita do mesmo. Mistérios interiores e sua revelação ficam a cargo do The Synod. Não partilhamos estes segredos com a mídia, não o partilhamos com os não-iniciados e nem com aqueles que não sejam do sangue! Isto é uma violação destes pactos. Se você for falar, fale apenas por você mesmo, não pelo Sanguinarium.
2- Honre a lei mundana!
Haja de acordo as leis da sociedade mundana que você vive [País, Estado, cidade e etc.] Mesmo que você discorde da mesma!!!A nossa segurança de explorarmos nosso lado noturno [Nightside] depende em grande parte dela, se por ventura discordarmos da mesma devemos ter maturidade e nos tornarmos socialmente responsáveis o suficiente para mudarmos a mesma de forma democrática e pública.
3- A metáfora do Sangue!
“Sangue é apenas uma metáfora para algo mais sutil chamado de força-vital [Prana]". Esta metáfora também simboliza os elos da família formada pelas comunidades Strigoi Vii. Ser um vampyro é muito mais do que a mitologia hollywoodiana mostrou e não necessita o consumo de sangue físico para satisfazer a fome espiritual. Há outras formas de comunhão que são muito mais eficientes e atualmente bem desenvolvidas. Este pacto torna claro o óbvio, que é necessário evitar o consumo do sangue humano devido a sérias complicações judiciais e de saúde [afinal ainda vivemos no mesmo mundo o­nde existe hepatite, AIDS/HIV. Sífilis e etc.]. Ser um Strigoi Vii, um vampyro não necessita de alimentação sanguínea.
4- Responsabilidade!
Nós devemos honrar a necessidade de estabelecermos objetivos materiais e racionais, antes de nos lançarmos rumo a exploração de nosso Nightside, devemos ter um bem estruturado Dayside. Espera-se que aqueles que irão conhecer nossos mistérios tenham alcançado a maioridade e a idade de 18 anos, não será permitido o envolvimento público ou privado de menores de idade na cena vampyrica.
5- Civilidade
Este se aplica ao tratamento para assuntos individuais. Se você tem problema com outro "do sangue", resolva-o particularmente, privativamente e com toda civilidade possível. Honrar e manter os códigos perdidos da etiqueta demonstra maior refinamento e uma melhor apresentação social dentro dos Sanctus e para os mundanos.
Querendo saber mais, a vários sites especializados sobre o assunto. Abaixo alguns destes sites:

sábado, 15 de março de 2008

Religião

Bem, esse sempre é um assunto difícil de se falar (até mesmo de se dialogar). Eu não deixo de sempre dizer a todos, sou um pagão!... Tá, um paleopagão.
Alguns confundem muito ser pagão com algo herético (o que não é completamente errado, já que significa do grego haíresis, escolha), algo pecaminoso, como se a pessoa não fosse batizada (coisa que se eu pudesse ter escolhido, o seria hoje em dia), mas a palavra vem do latim paganus, que significa homem do campo ou mesmo camponês, rústico. O paleopagão é aquele que tem crenças nos deuses antigos da humanidade, antes da Conversação (a.C.). No meu caso é a crença politeísta nos deuses gregos.
Lógico, eles foram discriminados no momento da imposição da da religião cristã e seus cultos e celebrações foram convertidos em feriados cristãos, mas muitos ainda os conhecem e estudam, pois fazem parte da história do mundo e são hoje conhecidos como mitologia grega.
A várias confusões que acontecem entre os deuses gregos e romanos, devido suas semelhanças, como melhor exemplo Hércules (mais conhecido) e Héracles. O primeiro nome é uma referência latina ao segundo, mas a história é a mesma. Nascida da relação de uma humana com um deus, Héracles era o homem mais forte do mundo, que fora submetido a doze trabalhos. Seu semelhante bíblico, Sansão, tinha igual força, mas diziam que ele houvera adquirido-a de dons do deus hebráico, assim seus cabelo era sempre mantido grande. Quando vimos filmes de referência de um ou de outro, eles são sempre retratados como homens de aparência rudo, com cabelos grandes e - as vezes - barba. Ambos foram traídos por mulheres, Héracles foi traído pela própria esposa, que ungiu sua armadura com sangue de centauro, fazendo-o ficar em carne viva e matando-o. Héracles se elevou aos Campos Elísios e foi consagrado por seus pai, Zeus, como um grande guerreiro. Ajudou os deuses no combate ao Gigantes, onde salvou Hera, que o odiava mortalmente. Desposou no Olimpo sua meia-irmã Hebe, deusa da juventude. Já Sansão foi traído por Dalila, que cortou seus cabelos e o entregou aos seus inimigos, os Filisteus. Num último ato de sacrifício, ele pediu o retomar de suas forças ao deus hebráico, matando-se e aos seus inimigos.
Ser paleopagão é complicado nos dias de hoje, pois poucos acreditam e confiam que você é assim, que você não acredita no deus único, no deus hebráico, adotado pela religião cristã monoteísta.
Você não consegue conviver muito bem com a aceitação das pessoas, as vezes se submetendo a atos dos quais você não está dentro de suas crenças.
Como foi criado num meio cristão-católico, aí que a coisa piora mesmo, pois você é olhado como um "ovelha-negra", pois tudo se consegue ao louvar o deus deles. Não é bem assim, a fé que temos não importa que seja num deus único ou em vários é que faz as coisas acontecerem. Veja o exemplo de vários ateus que conquistam coisas, pois têm a fé neles mesmo. Mas é difícil aceitar tal situação, quando por quase dois mil anos nos é imposto uma religião na qual a pessoa frequenta um templo, acreditando que lá conseguirá a rendição.
Alguns podem pensar que por eu ser paleopagão, ou mesmo um helenista, sou um cara chegado aos sacríficios de virgens ou alguma coisa parecida, como retratados em filmes e as vezes divulgados em certos cultos, mas não. O máximo que acredito no sacríficio, é de si mesmo, mas não no intuíto de se matar ou a alguém, mas sim de se arriscar, para conseguir algo.
Bem, não sigo os dez mandamentos, que já ouvi muitos cristãos dizendo seguirem, mas adorando imagens de santos e até mesmo uma imagem do seu "salvador" em uma cruz. Eu adoro imagens, são representações da imagens terranas dos deuses, representam como eles seriam vistos, caso tomassem formas humana. Sou dévoto de Atena, deusa da sabedoria, de Apolo, deus das artes, e de Díoniso, deus dos prazeres e patrono do teatro. Sempre agradeço a eles os bem-fazeres que ocorrem comigo, mas nunca deixo de agradecer a um outro deus quando algo ligado a outro momentos de minha vida ocorrem. Quando alguém está muito doente, clamo a Asclépio por sua cura mais breve possível, quando vou me recolher ou quando alguém me fala isso, clamo aos deuses do sono e dos sonhos, Morfeu e Hipnos, que guiem as pessoas por bons sonhos, e por aí vai.
Uso em geral amuletos não ligados ao cultos dos deuses helênicos. Um dos meus preferidos é a ankh, símbolo egípcio da vida. Ela tem várias representações, desde a união dos deuses Osíris e Ísis, do panteão egípcio, até a simbologia da vida eterna, usada por muitos vampiristas e jogadores do RPG Vampiro: A Máscara. Outro que uso muito é o pentagrama, um símbolo mais antigo do que a atual concepção religiosa. O Pentagrama é a famosa estrela de cinco pontas, usada hoje em dia por neopagãos e wiccans. Ele simboliza as quatro forças na natureza (água, terra, fogo e ar), guiados pelo espírito (Akasha), também conhecidos como Os Cinco Elementos.
Tenho ainda, tatuado nas costas, o Udjat (ou udyat) ou Olho de Hórus, símbolo de proteção e poder.
Não posso - e nem quero - ir contra a crença da atualidade, onde o homem crê no deus hebraíco e faz dele seu "senhor", e do profeta Jesus de Nazaré, seu filho, o guia para a salvação (alguns crêem até que ele seja o "senhor"), mas gostaria também de que me aceitassem como sou, sem condenações e sem preconceitos (do dicionário = conceito antecipado e sem fundamento razoável). A falta de conhecimento do que as pessoas crêem leva a isso. Antes o conhecimento, depois a reprovação.
É aquele lance, não sou um devorador de criancinhas, nem vou sacrificar virgens em altares (só se eu fosse maluco para tal!), vou viver minha vida pedindo e agradecendo as minhas divindades, pois é assim que se adora a algo ou alguém, mesmo quando a morte chega aos nossos entes mais queridos... No meu caso peço a Tânatos, deus da morte, que os guie até o Inferno (diferente da concepção bíblica da palavra), reino do deus Hades, e lá os mostre o caminhos para os Campos Elísios, onde repousam os de bom coração.

terça-feira, 11 de março de 2008

Odal Ortuo Od - Terceira Parte

Bem, chega ao final a primeira parte dos três contos que farão parte de Em Busca do Conhecimento. Leiam antes a primeira e a segunda parte, e espero que se divirtam. Boa leitura!
Joshua acordou no outro dia com cutucadas de Onurb:
- Alicsirp! – disse. Ao ouvir o nome da filha do Onod, Joshua se levantou rapidamente. Ele e Miguel haviam dormido em quartos separados. Ocit tinha razão quanto ao espaço da aturg. Apesar da aparência rústica do aposento onde dormira, Joshua achou muito confortável com a colcha de algo que veludo, recheado de penas, que cobria a cama em estalagmites polidas. O travesseiro era do mesmo material e a coberta era de couro, que o aqueceu bem durante toda à noite, pois uma brisa gélida entrava pela abertura para fora, com vista para Aiarp. A iluminação era natural, uma pedra bem polida, parecendo um espelho, refletia os raios de Los no topo da caverna, cheia de cristais, gerando uma luz pura.
Roupas, um bloco de folhas e algo para ele escrever estavam sobre um tipo de mesa feita na pedra, de frente para a janela.
Joshua vestiu a blusa, percebendo nela e nos outros itens que compunham suas vestimentas, extensões, para que coubesse nele: - “As pessoas trouxeram para você e seu amigo. Entregaram bem cedo.”, escreveu Onurb passou para Joshua, com um sorriso malicioso no rosto. Ignorando o fato, viu Miguel surgir à porta, trajando as novas roupas:
- Tô me sentindo um Loompa-loompa superdesenvolvido
- Deixa de ser chato, Miguel. – verbalizou Joshua, tentando colocar a calça e vendo Onurb começar a rir. Pegou o bloco e escreveu: - “Do que está rindo?”, e agora gargalhando alto, Onurb conseguiu escrever: -“Essa coisa branca que está usando, pra que serve?”, Joshua leu com voz alta e com um pouco de surpresa, mas não evitou de fazer Miguel rir, também:
- Ele tá tirando um sarro de ti por causa do cuecão! No mínimo tá achando que você usa fraldas... – ignorando o comentário do primo, escreve: -“Usamos isso com um tipo de proteção. Se chama ‘cueca’.”, e entregou a Onurb o que havia escrito, este em tom de estranheza, falou:
- Cueca?
- Olha, ele tá aprendendo a falar igual a nós! – argumentou Miguel.
- Não, - respondeu Joshua. – ele está pronunciando a palavra como eu escrevi. Talvez este processo possa acontecer ao inverso...
- Como tudo aqui é. – Indagou Miguel, enquanto Joshua colocava um colete. – Sabe, eu estava pensando no por que deles não andarem de costas.
- É uma questão de ótica e movimento retilíneo constante, ou melhor, você anda na direção em que vê. Para eles andarem de costas, teriam de ter uma fisionomia diferente, ou possuir olhos na parte traseira da cabeça ou a cabeça virada inversamente À posição do dorso e das pernas ou serem como o curupira...
- Curupira?
- Sim, possuírem os pés voltados para trás, mudando o ponto de equilíbrio corporal, aparentando que o movimento corporal é inverso a posição...
- Tá, saquei, pareceria que eles andam de costas, mas não andam... Por que você tem de falar complicado? – Joshua evitou continuar a conversa a partir daquele comentário. Estava satisfeito de Miguel estar falando com ele. Dá última vez que alguém fizera um comentário referente ao passado amoroso de seu primo, uma amizade se acabou, pois ele agrediu o cara.
Joshua deixou Miguel com Onurb e foi até a entrada da aturg, onde Alicsirp o esperava. Ao saírem, Miguel gritou, quando estavam a uma boa distância:
- Não se atrasa, quanto mais tarde, mais difícil. – Gritou Miguel, chamando atenção da companheira de caminhada de Joshua:
- Não se atrasar para o quê? – Joshua queria ser maior e mais forte que o primo, para surrá-lo pelo comentário. – Se atrasar para o que, Joshua? Vocês chegaram ontem e já pretendem ir?
- É... Bem... Sim! – Gaguejou Joshua, querendo ser uma toupeira e cavar um buraco bem fundo na terra, para se esconder.
- Mas por quê? Qual o motivo da pressa? – Interrogou Alicsirp, um pouco aflita.
- Quer a verdade? – Ele argumentou, tristemente, e ela balançou a cabeça, com olhar melancólico. – Não posso mentir pro seu povo, Alicsirp, e não quero ser morto por causa disso.
Alicsirp o encarou fixamente. Seus belos olhos estavam marejados de lágrimas. Os dois pararam no mesmo local do dia anterior. Joshua continuou, sentindo um enorme remorso:
- O lance do eclipse, bem... Eu sei o que é um eclipse, ou espilce, não importa... Não posso me negar a aceitar que um mito se sobressaia a ciência de fato.
- E nós...?
- Nós? – Ele teve a mesma sensação da noite anterior. – O que tem... Nós? - engoliu a seco, esperando a resposta, que veio quando os lábios dela tocaram o dele. Eram macios e úmidos, com um leve sabor de fruta cítrica, e tocavam o seu suavemente. Um calor subiu sua espinha e Joshua se sentiu paralisado, mas completamente entregue ao lábios delicados de Alicsirp. Repentinamente ela interrompeu, como se tivessem sidos surpreendidos fazendo algo indigno:
- Desculpe-me por isso! Nos conhecemos somente ontem e eu...
- Não precisa se desculpar... – disse ele interrompendo-a. – Só que queria ser eu a tomar tal atitude. – E tocou novamente os lábios dela com os seus. Uma deliciosa troca de prazer foi sentida por ambos, como uma brisa refrescante num dia de calor escaldante. Aquele momento poderia durar horas, dias, até mesmo meses, que não dava a mínima vontade dos dois se deixarem. Joshua já esquecera que desejava voltar para casa. Pra quê? Aquele momento era único. Quando terminaram, parecia que somente segundos haviam passado:
- Nossa como o tempo voa quando não ligamos. Opmet ajuda Los a caminhar mais rápido por Uec. – Ela argumentou e Joshua abanou a cabeça, em concordância. Ele estava extasiado, dopado pelo tom doce da voz de Alicsirp:
- É... Este é um dos grandes mistérios da Física. O tempo, quando ignorado, passa muito mais rapidamente. O corpo mesmo em repouso, mantendo atividade motora constante, segue com o tempo, que mantém um movimento contínuo, ignorando a apatia da massa, mas levando em conta sua atividade motora em repouso...
- Joshua, você está divagando! – Ela o interrompeu. Ele ficou vermelho e disse:
- Isso sempre acontece, quando algo de bom ocorre comigo ou quando estou nervoso. – Alicsirp sorriu e abaixou a cabeça, quando sentiu o rosto esquentar. Encararam-se, sorriram, tocaram os lábios, num breve beijo e retornaram pelo mesmo caminho que haviam chegado ali.
Despediram-se com outro beijo rápido quando precisaram se separar. Ao chegar à aturg de Ocit, Joshua o viu sobre a carroça, com Miguel ao seu lado, a espera:
- Caramba, o que aconteceu?...
- O que está havendo? – retrucou Joshua, à pergunta do primo:
- Tive que me virar, na tentativa de escrever pro Ocit o que você queria... – e entregou a folha cheia de rabiscos para o primo. – Não foi tão complicado quanto eu imaginava.
- Tô vendo. – retificou Joshua, olhando a folha com palavras riscadas e uma frase escrita ao contrário, logo abaixo: - “Nos leve de volta aonde nos encontrou.”, e embaixo as letras de Ocit rabiscadas, com as tradições a punho de Miguel: - “Sim, será um prazer levá-los, mas temos de esperar o retorno daquele que o acompanha.”:
- Caramba, sabia que você só precisava de um estímulo, minha ausência... Mas não vamos voltar agora... – Miguel ficou boquiaberto e surpreso, mas ao olhar diretamente nos olhos do primo, socou seu braço e disse:
- Tirou as teias... Carai, finalmente perdeu uma de suas virgindades! Pensei até em perder as esperanças, já tava até me preparando pra ouvir: -“Miguel, vou ser igual ao professor Fred, um bitolado, maníaco por ciência e não quero saber de mulher”... Chega a ser um alívio saber que pelo menos da boca você perdeu o cabaço. – disse e começou a rir. – E aí, quando é o casório? Quero ser pelo menos o padrinho. – Terminou de falar as gargalhadas. Joshua conhecia muito bem aquele humor irônico e depreciativo do primo, mas nunca vira como algo negativo. Era a velha história, Miguel era quem o estimulava a crescer.
Ocit os observava, sem compreender. Nunca fora estimulado a um aprendizado e a tentativa de novas descobertas. A vida de Ocit era o plantio para a própria sobrevivência e o comércio deste com os povoados de Odarres e Opmac, então ouvir os resmungos de Joshua e Miguel, e as gargalhadas deste, só o levava a indignação. Pensava que poderiam estar caçoando dele, então o menor, se aproximou e falou de forma um pouco mais fluente, em seu idioma:
- Não vamos mais, me desculpe! – E ergueu a mão para ajudá-lo a descer.
Ocit gostava de Joshua, o achava sábio e empenhado, mas não podia dizer o mesmo de Miguel, Para ele aquele homem alto era um bruto, quase dependente do menor e só sabia bater, rir ou falar um idioma mais estranho ainda. Ele caçoava do parceiro, fingindo imitá-lo e aquilo aborrecia o pequeno camponês.
Aceitando o auxílio de Joshua, Ocit desceu e olhou severamente para Miguel, dizendo:
- Um dia você aprenderá a respeitar seu companheiro. – E entrou na aturg:
- Será que ele acha que é minha culpa? – Argumentou Miguel. – Eu só segui tua idéia, então a culpa é tua e não minha.
- Não acredito que fosse isso, parece ter mais a ver com respeito... – detalhou Joshua decifrando as palavras, mentalmente. – Respeito por mim!
- Mas eu te respeito, só que... Ah, você sabe!
- É eu sei, mas eles não são obrigados a saber disso também. Ocit já te viu me batendo e agora gargalhando como se fosse uma hiena. Acho que é melhor você maneirar nas atitudes, se quisermos passar mais tempo aqui.
- Tá bom então, prometo maneirar. – E assim, os dois entraram para o desjejum.
Joshua criou uma tabela de contagem de tempo com Miguel e mostrou a Alicsirp, que ajudou dizendo cada período de fase cíclica de Aul:
- Aul tem duas fases, uma quando está belo e resplandecente e outra quando desaparece, deixando Etion sozinha. É contado dezesseis Aralc Etion e quatro Arucse Etion...
- Então não se conta a fase minguante e nem a crescente? – questionou Joshua.
- Se você fala do período que Aul está desaparecendo ou ressurgindo, bem, ele ainda está com Etion, mesmo que pela metade ou menos que isso! – Alicsirp respondeu.
O período de permanência foi de aprendizados e ensinamentos. Joshua aprendia tudo sobre a cultura do povoado, além de viajar constantemente com Ocit aos outros de Aiarp. Aquela região era dividida em cinco povoados, todos governados pelo Onod. Onde eles estavam se chamava Lapicnirp Aliv, e os outros se chamavam Etron-Arietnorf Aliv, Amica Aliv, Oxiaba Aliv e Lus-Arietnorf Aliv. Viajava também as regiões fronteiriças como Odarres e Opmac, a oeste de Aiarp, além da região de Otresed. Alicsirp dizia que dificilmente viajavam além das fronteiras de Etron-Arietnorf Aliv ou Lus-Arietnorf Aliv, pois o idioma era muito diferente, o que dificultava as negociações.
Joshua aprendeu a falar melhor o idioma do povoado num tipo de auto-ensinamento. Ele escrevia as frases e as lia em voz alta, para aprimorar o aprendizado, assim facilitava suas conversas com Ocit ou mesmo seus encontros com o Onod, para discutir a profecia:
- Você sabe que Ocirederf morreu pelos mesmos princípios... – grunhiu Onod, certa vez, com sua voz grave e rouca.
- Eu não pretendo mudar suas crenças, só mostrar que podem sobreviver as mudanças. – Explicou Joshua. Alicsirp aprendia muito com Joshua, e ficava extasiada como ele sabia ponderar o que dizer ao seu pai.
As noites eles passavam juntos, caminhando pela extensão de Aiarp, até bem próximo a Amica Aliv e Oxiaba Aliv. Alicsirp contava a Joshua todas as tradições dos povos e como um dia viria a governar toda a extensão de Aiarp, até Etron-Arietnorf Aliv, onde residiam os Seõicna Soibás, e Lus-Arietnorf Aliv.
Enquanto Joshua passava muito tempo com Alicsirp, Miguel tinha de desenvolver seu próprio estilo de aprendizado. Aprendeu a escrever e com isso arranhava algumas palavras inversamente. Ensinava as crianças a dar cambalhotas, andar de bananeira e dar mortais, e com os mais velhos desenvolveu um jeito de jogar futebol. Onurb se tornou um grande companheiro de Miguel, ajudando-o com as crianças e formando times que jogariam do outro lado do campo.
Joshua não conseguia esquecer a profecia e quando estava chegando perto do Espilce, retornou a tocar no assunto com o Onod:
- Continuo a dizer que não pretendo mudar suas crenças, mas a partir do momento que você mantêm o povo numa mentira, mesmo tendo novos fatos, está sendo hipócrita, Onod.
- Eu o aceito aqui, em meu lar, porque gosto de manter diálogos com você e por causa de minha filha, mas não aceitarei ofensas. – Vociferou Solrac, raivosamente. – Acha que desconheço a necessidade de crescimento do meu povo? Estamos enraizados as escritas antigas, nas quais o povo exige que sigamos. Não sou eu que determino as leis, somente as faço serem cumpridas...
- Mas alguém deve pregar! – interrompeu.
- Pra que pregar Joshua? – continuou o Onod. – A crença não precisa ser pregada, quando está bem concreta e é concisa e coerente. Somos unidos no que for preciso e mantemos um sistema de colaboração com os povos próximos, negociando o que possuímos. Como nós, eles têm suas crenças. Você já foi ao povoado de Avles, não? Pois então, lá eles festejam em volta de fogueiras, para o povo de Opmac e Odarres, a vida segue normalmente, com ou sem Espilce. O que aconteceu no passado, com Ocirederf, que pregava como você novos pensamentos, foi uma clemência do povo, eu só fiz cumprir a lei. Alicsirp sabe disso... – ela abanou a cabeça, num olhar centrado para o chão. – Tive com ele a mesma conversa que tenho com você, mas pelo menos nunca me ofendeu...
- Eu peço desculpas pela minha atitude inicial, mas desconhecia que havia conversado com Ocirederf também. – E olhou para Alicsirp, que não o encarou. Voltando para Solrac, continuou. – Será que, se eu soubesse falar com o povo, ele não aceitariam, não entenderiam? Não pretendo ofender suas crenças, só fazê-los acreditar que não a males no Espilce.
- Dificilmente eles lhe ouviriam, meu jovem. Primeiramente porque você é considerado um Etnagig. Pessoas grandes sempre foram consideradas um problema, por isso que dificilmente mantemos tanto contato com o povoado de Odarres. Todos são de enorme ignorância, sempre foi difícil acreditar que existe um Etnagig Oibás.
- Mas eu sou pouca coisa mais alto do que você, Onod, – concluiu Joshua, fazendo Solrac estufar o peito, como se isso o fizesse crescer mais. – e sou bem mais baixo do que o povo de Odarres. Sem contar que demorei dois ciclos para aprender o idioma de vocês, mas quando cheguei aqui, sua filha já tinha completo conhecimento do meu. – E voltou a olhar para Alicsirp, que agora o observava com um lindo sorriso na face, em compreensão de que entendera a intenção de Joshua, mas não foi somente ela que percebeu:
- Você é sutil no momento de bajular alguém, Joshua, faz-me até deixar de lado o tratamento inicial que teve comigo. – disse Solrac, com um largo sorriso no rosto. – Seu método de articular me fascina, por isso gosto de manter nossas conversas. Ocirederf era um pouco mais complicado, ele não sabia compreender como era complicado mudar o que já estava há eras encravado em nós... Sabia que ele surgiu do nada, também? Era como você, um pouco mais alto do que eu, mas não o chamávamos de etnagig, pois o encontramos, ou melhor, eu o encontrei residindo em Opmac e decidi trazê-lo comigo para Aiarp, pois demonstrava enorme inteligência e eu queria que viesse a ensinar a minha cria que estava para nascer. Morou entre nós durante um longo período, chegou a estar presente durante um Espilce, mas cometeu o erro de estar fora do Anrevac e assistiu a tomada de Etion. Com o falecimento da minha esposa, deixei-o morar conosco e assim ele ficava sobre controle e poderia educar Alicsirp em tempo integral, mas seu ímpeto em colocar sua verdade ao povo era maior. Quando minha filha entrara na idade da compreensão, ele decidiu intervir e falar a todos sobre o que ele entendia do Espilce e que tudo que acreditávamos eram mentiras, mas este foi o seu fim. Uma das suas frases que mais me marcou foi: - “A ignorância de um povo é um mal para um mundo!”. Ele foi julgado como um oxurb e retirado deste mundo em uma enorme fogueira. Quando se foi, preferimos ignorar suas palavras e seguir com nossas vidas, mas isso marcara muito a mim e a Alicsirp. Então Ocit encontrou a você e seu primo em Otresed e os trouxe até nós, trazendo de volta a mim as teorias desaparecidas de Ocirederf. Eu não sou um estúpido inconsciente, mas sigo as tradições do meu povo. Tenho certeza que não será capaz de conversar com Etion e convencê-lo a deixar Aid e Los em paz, e o Espilce continuará, como você diz e outrora Ocirederf dizia, mas desde que você cumpra com o esperado pelo povo, tudo estará bem... – aquilo ainda perturbava Joshua e ele sempre contava isso a Alicsirp e Miguel, que começou a pedir ao primo para falar na língua nativa, para aprender.
O grande dia chegou e um grande agito tomou conta Aiarp. Moradores das outras vilas chegavam e traziam mantimentos para serem armazenados em Anrevac. Alguns eram parentes de moradores de Lapicnirp Aliv. A irmã de Aivalf chegou com a família, à residência de Ocit, para conhecer os Setnagig, sendo que, já conhecia Joshua, mas não Miguel.
Os Soibás Seõicna chegaram numa enorme caravana:
- Então estes são os Soibás? – perguntou a Alicsirp.
- Sim, são eles que residem em Etron-Arietnorf Aliv, de onde você não podia se aproximar, por causa da proibição da aproximação de estrangeiros. – Respondeu, baixando a cabeça. Eles olhavam fixamente para Joshua, cochichando entre si.
Todos se organizaram para entrar na Anrevac. Os animais eram guardados em grandes celeiros, que funcionavam como a “Arca de Noé”, divididos em baias para guardá-los separados por donos.
Quando Joshua, Miguel e Alicsirp entraram no templo, os dois rapazes reparam em uma enorme pedra no fundo do local, rodeada por outras um pouco mais baixas ao lado desta e à frente. Ela os deixou sozinhos e se dirigiu para lá, onde os mais velhos e Onod se reuniam.
Alicsirp e Solrac subiram até a de espaldar mais alto, enquanto se viam rodeados de Seõicna. Assim que a porta se fechou e todos estavam bem acomodados à frente do altar, o Onod iniciou a cerimônia com um discurso:
- Bem-vindos habitantes de Aiarp. Mais uma vez voltamos a nos reunir em frente ao Odargas Ratla Ednarg, na Anrevac, para a passagem do Espilce. Há eras, Etion se inflama de ciúmes por Aul e assim toma o lugar de Aid, desconfiada desta, e cobre Los. E solta sobre todos nós os sombrios sovroc, mas acreditem isso está para acabar. Conforme a Aiceforp nos revela, um dia virá um Etnagig Oibás virá para dialogar e convencer Etion de que seu ciúmes e desnecessário, deixando Aid e Los em seu período com o pai e execrando os demoníacos sovroc, que não apareceram mais. Este dia chegou, pois o Etnagig se encontra entre nós. Joshua aproxime-se. – Ouvindo seu nome, Joshua olhou para Miguel, Ocit, Onurb e Aivalf, e saiu de perto deles, seguindo na direção do enorme pedestal, em que estavam Solrac e sua namorada, se virando de costas para eles:
– Aqui está ele. – Prosseguiu Solrac. – Ele irá lá fora e conversará com nossos deuses, para acabar com nossas aflições. – Enquanto Solrac e Alicsirp desciam, Miguel se aproximou de Joshua:
- Vou com você! – Quando Joshua ia contra-argumentar, ele continuou. – Nem adianta tentar me questionar. Seja lá no que você se meter lá fora, estarei do teu lado até o fim, além do mais, é meio minha culpa estarmos aqui.
- Bem, devo acompanhá-lo até a porta, como dita a tradição, mas você terá de ir sozinho! – Disse o Onod, ao se aproximar. Entendendo a última palavra, Miguel disse:
- Nem pensar que cê vai sozinho! Traduz aí pr’ele Joshua, eu vou com você e ninguém vai me impedir...
- Não Miguel. – interrompeu Joshua. – Eu vou sozinho. Se você for comigo, poderá prejudicar a nós dois. – Nisso se aproximaram também Ocit e sua família.
- Precisamos ir. – Solrac o segurou no braço, mas ele foi puxado no outro por Alicsirp, que o beijou ardentemente:
- Vocês dois, procurem um quarto! – Disse Onurb, surpreendendo a todos, então Joshua olhou para Miguel com certo ar de reprovação:
- Isso é coisa tua não é, Miguel? – disse.
- Tô fazendo escola, primo! – Pegou Joshua e o abraçou, dizendo bem baixo no ouvido. – Te cuida lá fora. – Joshua abanou a cabeça em afirmação e seguiu atrás do Onod, que já se adiantava:
- Vejo que é bem querido por eles! – argumentou Solrac.
- Ainda bem que sim! – ele respondeu.
- Então não os decepcione. Fique lá fora o tempo que for necessário e após a passagem do Espilce, pinte o feito na pedra e bata três vezes na porta, assim saberemos que tudo está finalizado. – Joshua abanou novamente a cabeça, em compreensão e perguntou:
- Então Onod, qual deles é seu pai? – Solrac virou espantado para Joshua, mas não parecia surpreso:
- Você é perspicaz, jovem, como soube que meu pai ainda está vivo?
- Oras, as tradições sempre são passadas pela hereditariedade, e apesar de discordar em manter algumas, ainda assim a faz por algum motivo, então supus que seu pai deveria ser um dos Soibás Seõicna.
- Bem inteligente. Ele era o que sentava a nossa frente, no espaldar mais baixo, junto com muitos outros Seõicna. Bem, já que percebeste isso, espero que faça o mesmo por nós e siga como lhe pedi. – A porta se abriu e Joshua foi para o lado de fora, virou-se e olhou os rostos ansiosos que o admiravam, então a Anrevac foi lacrada novamente.
O silêncio no vilarejo era sepulcral, assustador. Parecia uma cidade fantasma, pois só se ouvia o barulho da brisa que vinha da direção de Aiarp. Nenhum animal, nenhum ser vivo era localizado a longas distâncias de onde ele estava. Olhou para Los e ainda estava firme no seu local. Era interessante como aquela luz não o fazia mal, não gerava calor capaz de fazer suar, mas brilhava forte, iluminando a tudo. Parecia uma lâmpada fluorescente, que gerava luz, mas pouco calor. Então o Espilce começou. Tendo consciência que os eclipses solares do seu planeta eram preferíveis serem assistidos com bastante proteção, Joshua começou a procurar algo que pudesse ajudá-lo, mas não encontrou nada que poderia facilitar o seu testemunho daquele momento, então virou de costas para Los. Começou a pensar no que poderia usar para assistir ao Espilce e somente uma coisa vinha a sua mente, seus óculos. Como hipermetrope, as lentes do seu óculos eram como se fossem lupas, mas para fazer a projeção, teria de desmontá-lo, o que era arriscado, pois ele poderia ficar sem enxergar muita coisa, durante muito tempo. Ali, sozinho e sem ninguém a sua volta, Joshua percebeu o quanto odiava aquela situação.
Desde pequeno, quando ia passar os finais de semana na casa da avó, Joshua sempre esteve cercado pelos primos, até mesmo na escola, era sempre o centro das atenções devido ao seu intelecto. Na faculdade não era diferente, mas isso não lhe proporcionava namoradas, uma coisa diferente dali.
Quando olhava para Fred, sempre pensava se um dia seria como ele, completamente isolado, somente se dedicando aos estudos e as pesquisas, mas chegou a conclusão que não conseguiria. Seu professor era único, uma pessoa que tinha uma visão que não se mesclava com muitas outras, por isso construira aquele artefato que o levou até ali:
- Meu mestre, meu mentor, meu professor Fred... Fred?! – Joshua começou a colocar a cabeça para raciocinar sobre o nome. – Fred? Diminutivo de Frederico, que ao inverso é... Não, não pode ser! Eu e Miguel somos os primeiros e ele ainda estava vivo quando saímos de lá, e Solrac disse que isso aconteceu há ciclos atrás,... Mas eu estou me prendendo a uma linha temporal contínua e ela não existe quando viajamos através do portal, podendo ir para qualquer canto e qualquer lugar onde caibamos. Então o presente que estou vivenciando hoje, pode ser o passado do professor aqui, mas o futuro dele lá. Isso significa que quando eu voltar (se eu voltar) para casa poderei estar indo para o atual presente nosso, sabendo que no passado deste povo, Fred virá no seu futuro, causando a sua própria morte no nosso futuro e... Ah, estou divagando! – concluiu Joshua. – Não posso aceitar isso assim. – E se virou para Los. – Se tiver que ficar cego, que assim seja.
Aul já tomava uma boa parte de Los, mas apesar de seu brilho forte, ampliado pelas lentes dos óculos de Joshua, nada aconteceu. Ele cerrou os olhos, mas somente isso. Não sentiu nenhuma irritação, cegueira temporária, nada mais grave do que o semi-fechar dos olhos. Era como uma lâmpada fluorescente mesmo.
A tomada de Aul por cima do Los era algo diferente, pois uma enorme estrela era tomada por um satélite de tamanho muito menor, mas pareciam alinhar-se perfeitamente. Somente restando um brilho fraco em volta da forma negra, tudo escureceu, deixando Joshua no breu. Ouviu barulhos de asas e olhou pro céu, onde viu os sogecrom sobrevoando, à distância, sua cabeça:
- Sabia que era isso! – ele afirmou. O tempo de duração do Espilce foi curto, como Joshua também acreditava que seria. Então quando Aul começou a se dirigir para o lado, Joshua reparou no balde de pigmento vermelho, com algo parecido com um pincel, para ser pintado numa pedra, frontal ao Anrevac, assim quando todos saíssem veriam o que acontecera. Sabia que se quisesse sobreviver, para vir a contar suas suspeitas ao seu professor, precisava fazer aquilo, o que iria completamente contra seus princípios e tudo que já aprendera estudando. Se Fred estivesse ali, diria a ele: -“Mentir quando conhecemos os fatos é atestar que a mentira é verdade.”, então Joshua tomou sua decisão.
Enquanto o Espilce acontecia do lado de fora e Joshua tomava as decisões na sua vida, dentro da Anrevac todos esperavam ansiosos. O silêncio lá dentro só piorava a aflição de Miguel, que queria sair e ajudar Joshua, no que quer que fosse. Alicsirp o abrandava, pois sabia que se ele saísse, poderia dificultar mais ainda a situação:
- Ah, qualé, já se passaram horas, temos de ver o que aconteceu com meu primo! – Exclamou Miguel, quebrando o silêncio.
- Não adianta se agitar, temos de esperar um sinal, só assim poderemos saber quando sair. Quem deve aceitar o sinal é o Onod, ou melhor, só sairemos daqui quando meu pai permitir. Já me contaram que um Espilce pode durar muito tempo, então é melhor se acalmar, Miguel. – Disse Alicsirp, suavemente, como se quisesse amansar uma fera selvagem.
- Vai por mim Alicsirp, essa porcaria de eclipse já acabou faz tempo. Dificilmente um eclipse total dura mais do que algumas horas ou mesmo minutos...
- Sua contagem de tempo não funciona aqui, Miguel, sabe disso, mas se você em razão e ele acabou mesmo, cabe-nos esperar Joshua bater à porta. Ainda bem que somente eu neste meio entendo o que você diz, senão você estaria sendo preso neste exato momento. – Então se ouviu três batidas fortes na porta e ouviu-se um murmurinho entre todos. Miguel começou a andar, mas foi impedido por Alicsirp e Onurb, que disse às sílabas:
- Eu ten-to en-ten-der sua a-fli-ção, a-mi-go Miguel, mas é me-lhor que se a-cal-me! – Alicsirp ficou surpresa, como os pais de Onurb e alguns do povoado, que estavam próximos a eles.
- Tô fazendo escola, num disse! – ele se gracejou. Então todos se concentraram na porta, na qual o Onod saiu. Ao ver Los clareando Aid, ficou espantado:
- Você conseguiu? – questionou, em tom de felicidade. – Sim, você conseguiu! A profecia é real... Mas por que você não escreveu na pedra, como eu lhe informei antes de sair? – voltou a questionar, mas agora num tom de aflição. Naquele momento, Miguel saía da Anrevac, seguido pelo povo, que estava admirado com o brilho de Los, mesmo sendo advertidos pelos Soibás Seõicna, mas antes que chegassem mais perto deles, Joshua disse:
- Não posso ferir meus princípios Onod, me perdoe!
- Me perdoe você, jovem! – disse tristemente, em resposta. Joshua não entendeu, mas não dera tempo de perguntar, pois Miguel havia chegado:
- O que aconteceu? - ele questionou.
- Nada do que já conhecemos e sabemos. Definitivamente era o que eu acreditava e esperava. – Alicsirp aproximou-se e abraçou Joshua:
- Você pode ter selado seu destino quando não escreveu, veja! – O pai dela agora era rodeado pelos Soibás Seõicna e quem mais falava era o pai de Solrac. – Tudo dependerá do que sair dali.
As coisas pareciam esquentar para Onod, mas ele saiu do meio dos mais velhos e se pronunciou:
- O Etnagig Oibás agiu conforme a aiceforp e nos libertou da ira de Etion. A partir de hoje teremos dias felizes e Etion saberá prezar por nós.
- Mentira. – braniu o mais velho dos Soibás Seõicna, o pai de Solrac. – Se ele nos livrou da ira de Etion, por que nada está escrito sobre o fato? Onde estão as palavras nas pedras. Eu digo que ele é um oxurb, um enganador. Enganou-nos, negociando com Etion uma retirada momentânea, para que saíssemos de Anrevac. Dentro em breve, Etion voltará, trazendo consigo os demoníacos Sovroc. – Então se instalou um pânico entre todos e Alicsirp contra-argumentou:
- Não meu senhor. O Etnagig Oibás cumpriu com a aiceforp e Etion não retornará. Se fosse um embuste ela já teria... – foi interrompida:
- Ele a enfeitiçou. Sua demonstração de carinho pelo Etnagig mostra o quanto ele chegou a encantá-la com sua magia. Retornemos a Anrevac e sairemos com sempre fora feito. – Então a voz de Joshua se elevou no meio da confusão:
- Me escutem todos. – Alicsirp quis impedi-lo, mas foi impossível. – Escutem-me. Etion nada tem a ver com o que acontece a Los e Aid. Quem surge durante o Espilce é Aul, visitando o irmão. Como Ele é casado com Etion e Los com Aid, o encontro dos dois é quase impossível e raro, então ele vem visitar o irmão as vezes, mas é uma visita rápida, para que ambos possam manter contato. Disse Aul que é mais fácil ele visitar Los do que o contrário acontecer, já que muitos achariam estranho Los no período Dele e sua esposa, Etion. Ela ama Aul, senão nunca teriam tidos tantas Salertse. Quanto aos Sovroc, Aul disse que são Sogecrom que ficam atônitos com sua visita ao irmão e decidem sair em comemoração. Ele pede para que não o temam, pois nada de mal acontecerá e vocês só terão benefícios.
O discurso de Joshua parecia eloqüente e sincero. Os moradores de Aiarp aparentavam crer no que ele dizia, mas então se ouviu a voz do pai de Solrac no meio de todos:
- Oxurb! Ele tenta enfeitiçá-los com falsas mentiras. Enfeitiçou Alicsirp e está tentando fazer o mesmo com todos. – Daí ouviu-se na multidão o clamar da palavra oxurb. Ocit e Onurb, que estavam próximos de Joshua, sentiram um puxão de Aivalf, que já fora puxada por seus parentes. A ira e a loucura pareciam tomar a todos, Miguel se postou diante do primo, ameaçadoramente:
- Se quiserem encrenca, podem vir! – De repente, surgiram lanças e facas dos mais variados tamanhos. Eram as pessoas de Lus-Arietnorf Aliv, todos tinham aparência de guerreiros. – Carai, como eu não tinha notado nestes caras antes? – Temendo pela vida do primo, Joshua vociferou em voz alta:
- Deixa de ser metido a gostosão, Miguel! Te manda daqui! Você é mesmo um idiota, achando que pode sempre me defender, ser melhor do que eu! Sai daqui e me deixa! – Espantado com a reação do primo, Miguel sentiu os braços de Onurb e Ocit puxarem por ele:
- Cê num tá falando sério!
- Nunca falei tão sério em toda minha vida, – lágrimas escorriam pelos olhos de Joshua. – se manda e não me incomoda mais! – E deu um soco forte no rosto do primo. Miguel, sentindo o gosto de sangue no lábio inferior, deixou ser puxado pelos amigos e seu primo abaixou a cabeça, sentindo uma grande dor de remorso no peito. Então surgiu o Onod:
- Como o senhor ousa condená-lo? Se ele disse que conversou com Aul, eu acredito nele. Nunca vimos o que acontece durante o Espilce e tudo que sabemos é o que está escrito em livros mais antigos do que o mais velho dos Soibás Seõicna. – Vociferou, olhando para o próprio pai. – Se este Etnagig Oibás disse o que aconteceu, por que é tão difícil acreditar nisso? Além de que ele é pouca coisa mais alto do que eu, até mesmo do que o senhor, meu pai.
- Ousas argumentar contra mim? Não existem Soibás entre os Setnagig! - Encolerizado com aquilo, o velho se virou para todos. – Lapicnirp Aliv foi toda enfeitiçada por este oxurb. Tomemos cuidado com o que todos dizem, pois poderemos ser encantados também. A partir de agora assumirei o cargo de Oiráropmet Onod, como decreta nossas leis e dentro em breve julgaremos o oxurb e determinaremos sua pena. Todos os moradores de Lapicnirp Aliv devem ficar em suas residências e somente saírem para fazer seus afazeres. Os restantes devem voltar as suas moradas. Peço aos moradores de Lus-Arietnorf Aliv para guardar pela vida dos nossos vizinhos. – O que foi falado parecia ter sido estabelecido como lei marcial, a inflamação dos moradores de Lapicnirp Aliv foi grande, mas aprumada por seus parentes, moradores de outros lugares. Joshua fora levado para dentro da Anrevac e algemado a uma grande pedra.
O tempo não parecia passar dentro da Anrevac. No primeiro dia, após sua prisão, Miguel surgiu, murmurando a porta:
- Joshua, eu sei que você falou aquilo pra me proteger primo. Demorei pra sacar, mas entendi depois. Cara, güenta as pontas, que vou fazer de tudo pra te tirar daí. – Aquilo fez lágrimas brotarem dos olhos de Joshua. Sempre que era possível, ele ouvia a voz do primo à porta, contando como as coisas estavam acontecendo do lado de fora:
- Alicsirp não para de chorar e eu digo pra ela que vou dar um jeito de te tirar daí, nem que tenha de meter porrada em todos estes anões com palitos de dente. É tudo culpa minha, Joshua, maldita hora que decidi entrar na frente daquela porcaria de Interportal. Me perdoa, primo, me perdoa! – Joshua queria poder responder, mas tinha medo de denunciar a presença do primo, que no mínimo sempre acontecia na surdina.
Um dia veio Solrac visitá-lo:
- Descobriram que Miguel tem vindo conversar com você pela porta de Anrevac. Consegui que não o prendessem, mas está por um fio. Meu pai assumiu minha residência, manda em todos como se fosse o Onod novamente. Acredito que ele lhe falou sobre Alicsirp, não? – Joshua abanou a cabeça, afirmativamente. – Ela sente muito por você estar aqui. – Repentinamente, Solrac se levanta irado. – Meu pai agiu como um fanático. O que você disse tem sentido, já que nunca vimos nada do que acontece durante o Espilce, nem mesmo ele. Toda Aiarp está dividida com seu testemunho sobre o que você disse ter testemunhado. Alguns questionam se o povo de Alves não está certo ao comemorar o Espilce. Em breve nos reuniremos aqui e decidiremos o seu destino. – E foi dito e feito. Enquanto dormia, Joshua foi acordado pelo brilho que vinha da porta. Quando abriu os olhos, pensando que era seu alimento matutino, viu um comitê de homens mais velhos e Solrac, entrando em Anrevac:
- Estamos aqui para sua condenação, oxurb! – disse o pai de Solrac.
- Sei que já estou condenado mesmo antes de vocês entrarem aqui, mas já lhe digo que agora as coisas mudam. Em breve, nem todos estarão mais em Anrevac quando acontecer o Espilce, então mais e mais pessoas começarão a não freqüentar esta tradição de enclausuramento. Pessoas mais velhas não duram para sempre e são substituídas constantemente, então o que é um fechamento se tornará uma festança e vocês estarão mortos para mudar isso. Minha morte me transformará em mártir, assim como acontecerá com o que fizeram com Ocirederf. – o nome do professor pareceu deixar o pai de Solrac espantado, e este olhou para o filho:
- Você contou a ele?
- Não, não fui eu meu senhor, foi sua neta, minha filha. Cometemos um erro anteriormente e cometeremos outro, à custa de tradições e mitos que não tem cabimento.
- Nada nunca mudará. – Disse o velho para Joshua. – Você nunca será este mártir que imagina, pois nossas tradições são passadas de pai para filho...
- E se tornarão parte da história. Seus descendentes rirão dessa sua crença em que Etion era uma deusa vingativa e saberão conviver com ela melhor do que vocês. – argumentou vorazmente.
- Acredito que já temos uma decisão tomada por conta desta conversa. – falou o velho, com um tom irônico. Onod se aproximou de Joshua e disse:
- Tem razão, eles rirão de nós. – e sorriu. Abraçou Joshua e saiu junto com os Soibás Seõicna. Lá em cima, Joshua ouvia o que o pai de Solrac falava e percebeu que não somente tinham as pessoas de Lapicnirp Aliv, pois os clamores eram bem maiores e pareciam ser de pessoas que não aceitavam o que ia acontecer:
- Ele será punido como um oxurb deve ser pelas tradições e leis do nosso povo. Dentro de três Etion e três Aid, ele será levado para a cremação. – Um grito sonoro e forte se fez ouvir no meio de todos, era Miguel:
- Eu te trucido, seu velho caquético. Você vai se arrepender se tocar um dedo no meu primo. – ele parecia ter decorado aquilo para falar naquele momento. A balburdia pelas suas palavras foi grande, mas ignorada pelos velhos.
Na terceira noite, Joshua ouve a porta se destrancar e acha que tudo acontecerá antes mesmo das pessoas serem acordadas. Devido à precária iluminação da Anrevac, feita por tochas, tudo que Joshua reconhece são vultos, mas devido à altura de um, ele sabe na hora que é o socorro:
- Carai, Joshua, estes anões têm te alimentado direito? – cochichou Miguel. A voz próxima do primo era aliviante. Então se ouviu mais duas vozes reconhecidas:
- Miguel, você entende o que significa não falar nada? – crocitou Ocit, meio raivosamente.
- Calma pai, ele tá aliviado por ver Joshua! – Argumentou Onurb e depois falou no idioma de Joshua e Miguel. – Viemos para te resgatar, Joshua! – Era impressionante como aquele jovem rapaz havia aprendido tão rapidamente a falar do mesmo modo de Joshua e seu primo. – Encontramos algo muito estranho bem próximo de onde meu pai encontrou você dois, em Otresed.
- Carai, Joshua. – cochichou Miguel, atônito. – Tem uma corda pendurada no meio do nada. Será que o maluco do Fred conseguiu nos encontrar? – Aquela notícia era entusiasmante. Joshua levantou-se, mas devido a fraqueza nas pernas, cambaleou e foi apoiado pelo primo:
- Pô, cê mal consegue ficar de pé. Tô afim de socar anões! – vociferou Miguel, aos cochichos.
- Temos de ir, o tempo urge. – falou Ocit. Joshua tentou aplacar o temperamento rude do primo:
- Pare de chamá-los assim, pois dois de nossos melhores amigos são daqui. – Onurb deu um sorriso de compreensão. Miguel ergueu o primo, ajudando-o a sair da Anrevac. Na porta estava Solrac, que parecia ansioso:
- Vocês demoraram muito, temos de ir logo. Alicsirp está esperando próxima a carroça de Ocit. – Então viu Joshua escorado por Miguel. – Perdoe-me, Joshua, se soubesse que o estavam tratando tão mal...
- Não se preocupe Onod, o importante é que você está me salvando. – Um sorriso triste apareceu no rosto de Solrac e um brilho prateado surgiu no seu olho. Antes que alguém notasse, ele esfregou o olho e falou:
- Vão, quanto mais rápido se afastarem daqui, melhor. – E foram na direção da aturg de Ocit. Lá, próximo a carroça estavam Aivalf e Alicsirp, que parecia abatida. Vendo-a, Joshua lembrou-se o que iluminava suas trevas no período que esteve na Anrevac, era aquele rosto:
- O que aconteceu? – Ela perguntou, ao vê-lo sendo carregado por Miguel.
- Nada. – ele disse. – Se precisa ver o outro cara... – Sem esperar por aquilo, Miguel soltou uma risada. Olhou para o primo e chorou de felicidade:
- Me perdoa Joshua, nunca deveria ter entrado na frente daquela máquina...
- Ainda bem que você entrou, só assim eu conheci Alicsirp. – e olhou pra ela, que agora chorava, encarando-o. – Não chore, eu estou bem. – Miguel o levantou no colo e, colocando-o dentro da carroça disse:
- Cê tá longe de estar bem, Joshua. Tá sujo, mal nutrido e seus pulsos estão feridos por conta do peso daquelas algemas. Minha vontade...
- Eu sei qual é sua vontade, Miguel, não vai adiantar de nada agora. Se Ocit e Onurb viram a corda, temos de ir. – Alicsirp subiu ao lado de Joshua e Miguel foi logo depois, pegou os óculos do primo para limpar:
- Bem, então vamos nessa, mas você terá de ficar coberto, primo, pois se o virem não chegaremos muito longe. – entregou os óculos e o cobriu. A carroça partiu, mas logo foi interditada por dois homens:
- O que fazem tão cedo indo nessa direção.
- Estamos indo a Opmac, preciso comprar material para a plantação que está para vir e quanto mais cedo saio, mais rápido posso me munir de material. Onod pediu que eu levasse sua filha comigo, pois ela precisa negociar algumas coisas para ele e o etnagig me ajudará a carregar o material. – falou Ocit.
- Perderão a punição do oxurb...
- Ele é meu primo, anão! – braniu Miguel.
- Eu o conheci antes de chegar aqui, então pedi autorização do Onod para não testemunhar o ato de punição, assim pediu para eu levar vossa filha e como o etnagig é primo do outro, pediu que eu o levasse também, assim não traria problemas. – Olhando assustado para Miguel, o soldado falou:
- É compreensível. O Onod tem a sabedoria do pai, sabe bem o que faz. – se virou para Miguel e disse. – Acho que seu primo está certo, etnagig, não acredito que o Espilce é mal, senão os outros povos não ficariam do lado de fora de suas moradas durante ele. Podem ir! – A carroça seguiu sua viagem. Quando a distância era segura, Joshua foi descoberto:
- Desculpe metê-lo em tamanha encrenca, Ocit! – proferiu Joshua ao ser descoberto.
- Você não me encrencou amigo, pelo contrário, abriu meus olhos. – contrapôs Ocit. – Antes de você contar sobre sua conversar com Aul, sempre concordei com o que era nos passado em referência ao Espilce, mas o jeito como os Soibás Seõicna o trataram pelo que você falou sobre a visita de Aul ao seu irmão Los, foi desumano. Não sou provido de muita inteligência, sou um agricultor e vivo do que Arret me fornece, mas sei perceber quando uma verdade é contada, e o que você disse é sensato e senti honestidade em suas palavras, tanto eu como todos os membros de minha família e de Aivalf.
- Sua sabedoria está na sua humildade, Ocit. – Argumentou Joshua. – Seu coração humilde o torna mais sábio do que qualquer Seõicna. – Ele então se voltou para Alicsirp:
- Somente pensando em você, eu me mantive são. – Ele mumurou.
- Pedi várias vezes para visitá-lo, mas eles diziam que você havia me enfeitiçado e isso me tornava perigosa, próximo a você. – ela respondeu, com lágrimas nos olhos.
- Mas nós dois nos enfeitiçamos, de amor!
- Carai, essa foi brega demais... – intercalou Miguel.
- Eu também senti sua falta Miguel.
- Agora isso foi gay! – proferiu. – Vamos parar com essa conversa melosa. – E assim foi, durante o resto do caminho, Joshua e Alicsirp passaram abraçados.
Quando Los estava reaparecendo no horizonte, Ocit parou a carroça e pronunciou:
- Foi aqui que eu os encontrei, naquele dia. Nós vimos a corda pendurada a uma distância curta daqui.
- Sim, havíamos andado pouco antes de você nos encontrar. Olhe! – E a distância se via um fio pendurado no nada.
- Onurb até pensou em puxar, mas preferimos deixar de lado e pensamos que poderia ser um caminho de volta para vocês, já que fora assim que eu os vira, no meio do nada. – Ocit seguiu com a carroça o mais próximo que pôde da corda, que era grossa, e parou novamente:
- Bem, é aquilo. A cor dela se confunde com o infinito, mas essa região é muito inóspita, por isso ninguém chegou a vê-la. – Todos desembarcaram, Miguel tocou na corda, para ter certeza que era real:
- Até que o Fred num é burro, hein! – brincou, enquanto Joshua se separava do grupo, com Alicsirp:
- Eu não vou com vocês! – Ela disse.
- É, eu imaginei... Alicsirp, eu...
- Eu sei. – ela o interrompeu. – Eu também te amo! – E o beijou ardentemente. Era o último beijo, o possível beijo de uma despedida eterna. As lágrimas de ambos escorriam nos rostos e se tocavam, onde as bochechas se encontravam:
- Nunca, em toda minha vida, irei esquecê-la. – Ele argumentou, ao se separarem, aos prantos. – Estaremos distantes entre universos, mas você será sempre parte de mim. Eu te amo, Alicsirp, e isso será por toda minha eternidade.
- Oma Et Ue! – ela disse, chorando pesadamente. Joshua olhou na direção dos outros, que os observavam, mas abaixaram as cabeças quando ele os reparou. Foram na direção deles, enxugando as lágrimas:
- Está na hora de irmos! – Pontuou Joshua.
- Marahlirt euq ohnimac olep meiug sehl sesued so eup! – Proferiu Ocit.
- Iereceuqse ehl acnun! – balbuciou Alicsirp, que não esperou eles partirem e se dirigiu a carroça.
- Boa sorte! – desejou Onurb. Antes de puxar a corda, Joshua entregou a Ocit seus óculos:
- Ale a eugertne! - E assim Miguel deu um grande puxão na corda e os dois sentiram outro grande puxão do outro lado, levando-os de encontro ao nada, então eles sentiram o formigamento anterior e nada mais.
Quando Joshua acordou, sentiu seu estômago se embrulhar e o vômito sair por sua garganta, atingindo o piso frio do escritório de Fred:
- Eca, que foi que você comeu, Soduim ed Odlac? – ouviu a voz familiar de Miguel.
- Vocês estão bem? – Argüiu a voz irreconhecível de Fred.
- Sim, estamos bem professor... – respondeu, mas Miguel se interpôs:
- É, estamos bem, mas seria legal cê acabar com esse lance de vômito, é nojento!
- Seria quase impossível eliminar isso Miguel. Já é incrível a energia fazer leitura diferenciada de suas massas e seus trajes, quanto mais do que comeram recentemente... – respondeu Fred. – E o que foi isso que ele disse? Caldo de Miúdos?
- Era o idioma do universo que havíamos parado. Fomos conhecer um universo paralelo, como uma face de um espelho, mas preciso lhe revelar acontecimentos referentes ao seu futuro, professor...
- Não, Joshua, por mais que você me pronuncie meu futuro, ele virá a acontecer, somente me deixará esperançoso ou perplexo, até o momento que esquecerei e lembrarei quando realmente acontecer.
- Mas professor... – tentou argumentar, mas foi interrompido.
- Não Joshua, prefiro que me revelem sobre sua viagem. Passaram três meses fora e...
- Peraí, quanto tempo? – assustou-se Miguel.
- Ou melhor, dois meses e meio. Minha sorte é que Joshua esqueceu a mochila no laboratório com seu aparelho móvel dentro, então mandei um torpedo... É Miguel, eu sei passar torpedos. – respondeu ao olhar espantado de Miguel. – Passei um torpedo para sua mãe e disse que vocês fariam uma viagem emergencial e ficariam fora de alcance. Como ela sabe o quanto Miguel é grudado a você, acredito que nem questionou a ida dele também.
- Então o que quer saber antes, professor? – interpelou Joshua, mas Fred disse:
- Antes vá tomar um banho Joshua, não quero que sua mãe pense que você andou mendigando durante estes dois meses e meio, pela ciência... – Miguel ficou boquiaberto. – Qualé Miguel, não sou tão velho para saber contar uma piada. Acredito que tenha umas roupas reservas que poderão caber em você, quanto ao Miguel...
- Cê tá maluco, nem pensar quero parecer um nerd. Tenho um uniforme de ginástica, no ginásio, vou buscá-lo. Você vem Joshua! – Fred vai até o armário e pega uma camisa e uma calça para Joshua. Carregando as roupas, ele sai com o primo em direção ao prédio de Educação Física, onde tem chuveiros. A certa distância, Miguel tomou um ar sério e perguntou:
- Como é que cê tá, primo?
- Triste. – Ele respondeu. – Mas sei que nunca conseguirei esquecê-la, como ela também não me esquecerá. – Miguel abraça o primo pela cabeça e toma à dianteira, enquanto Joshua fica na retaguarda, sentindo uma pequena lágrima de saudade surgiu em seu olho.