quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Rock in Rio 2011


Quando eu tinha 12 anos de idade, aconteceu no Brasil o maior evento da música nacional e internacional. Todo o Brasil - praticamente - parou para assistir aos grandes astros e a bandas revelações como Kid Abelha. Shows como Queen, AC/DC, Iron Maiden fizeram o Rio de Janeiro ferver. Pessoas pararam para cantar James Taylor. Foi simplesmente um momento único em 2005, que foi tentado se revivido em várias outras edições e até hoje o tema me emociona. Hoje, esse tema pode ser ouvido nas mais diversas vozes da nossa música... Ah, sobre o que estou falando? Oras, Rock in Rio, que retornará em 2011 para o Rio de Janeiro e fará a cidade vibrar durante seis dias. Acima todos podem ver a música, cantada por Frejat, Toni Garrido, Pitty, Ivete Sangalo, Rogério Flausino, Ed Motta, Sandra de Sá, Ivo Meirelles, Zé Ricardo, Marcelo D2, Dinho Ouro Preto, Evandro Mesquita, Tico Santa Cruz, Tié e George Israel. Vamos nos unir numa só voz, numa canção, um céu de estrelas... Rock in Riooo!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Crônica: Você já brincou de casinha?


Este ano eu iniciei meus estudos para me graduar em Licenciatura em História, então das várias aula que temos, uma é sobre a construção de texto. Eu já aprendi - assim espero! - a fazer um fichamento, escrevi um artigo - que me ajudou a decidir com que base farei minha monografia - e agora me fez fazer um crônica.
Bem, nunca fui chegado a crônicas, tanto que muitos podem ver que meus textos, em geral, são bem extensos. Gosto mesmo de contos (sendo que "Prole" se encaminha para se tornar uma novela) ou romances, como "A Grega". Mas como isso fazia parte de um teste avaliativo, não tinha como escapar, então, entrando no embalo de meu irmão em "Contos de Mórris", que tem narrado sua infância e adolescência, de uma forma ficcional, decidi escrever sobre o título desse post, então segue abaixo o resultado, que me rendeu uma boa nota =)

Você já brincou de casinha?

Você já brincou de casinha? Acredito que todo mundo já brincou – ou ainda brinca – de casinha, seja com a irmã, seja com parentes, sempre alguém é o pai, a mãe, os filhos e por aí vai. Eu posso dizer, com toda convicção, que já brinquei muito de casinha. Mas não com minhas primas, e eu nunca tive uma irmã, então praticava esse ato na escola mesmo, sempre no final das aulas, esperando minha mãe e meu pai chegarem, e como mais velho, era constantemente o pai.

A brincadeira consistia no seguinte: como pai, eu ia trabalhar e me despedia dos meus filhos (um casal de gêmeos que estudavam com meu irmão), do cachorro (que era o pobre do meu irmão) e da minha esposa (que era uma das filhas das donas da escola, sendo uma delas minha madrinha), que eu beijava – essa era a melhor parte.

Ir para a escola era um martírio, mas tudo valia a pena ao final do dia, quando brincávamos de casinha. O pior era ser pego pela minha madrinha, enquanto eu beijava sua filha, pois a unha dela era tão grande, que o beliscão doía na alma.

Eu fico pensando como isso seria visto hoje em dia. No mínimo meus pais seriam processados por eu assediar as meninas ou seria minha madrinha a processada, por ter me beliscado, mas com certeza não teria o mesmo tom ingênuo daquela época, quando um beijo de estalinho significava o mesmo que andar de mãos dadas.

Hoje, na minha idade, “brincar de casinha” tem um outro significado. É construir uma família, ter um trabalho para sustentá-los, uma casa para abrigá-los e um veículo para locomovê-los, mas na infância, quem disse que isso importava. O legal era chegar ao final do dia, ir ao balanço que representava o carro, olhar para os gêmeos e vê-los como meus filhos, observar meu irmão “de quatro” e acreditar que ele era o cachorro e ver as filhas das donas da escola como sendo minhas esposas a quem eu beijaria. Como era bom ser criança e brincar de casinha... Ou vai me dizer que você não gostaria de voltar a ser criança?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Contos do Móris: Meu irmão

Nossa, fazem três meses que eu não apareço por aqui, ou melhor, desde que comecei minha faculdade.

Pois é, tem sido complicado, mas gostoso, pois estou fazendo algo que é quase um sonho, estou estudando para dar aulas de História. Só que não vim até aqui para falar disso.

Bem, quase todos que vêm aqui veem meus contos publicados, pois esta foi uma forma que arranjei de disponibilizar o que gosto de escrever para aqueles que gostam de ler. Só que, não sou somente eu o escritor, filho da Sra. Aédyla e do Sr. Armando, mas também o outro filho deste casal, meu irmão, Armando Rogério Brandão Guimarães Junior (UFA!).

Desde pequeno meu irmão demonstrou talento para escrever, também era um – quase – mini-gênio. Sacava tudo e entendia tudo muito facil. Logo se destacava entre seus colegas. Um verdadeiro nerd! Pois bem, este meu irmão “caçula” (mas mais alto do que eu!) decidiu me prestar uma homenagem dupla. A primeira eu não contarei, mas acredito que um dia ele conte quando o livro for publicado, mas a segunda é um conto sobre minha pessoa. Com autorização dele (lógico!), eu disponibilizo aqui para vocês “Meu irmão” (obrigado irmão!):

Meu Irmãocolonia-de-ferias

O meu melhor amigo definitivamente é  meu irmão, sem desmerecer as amizades que fiz ao longo de minha curta vida, mas suportar tudo que eu fiz com ele e ainda me chamar de irmão, tem que ser muito amigo!

Quando digo que ele me chama de irmão é no sentido literal da palavra, ele nunca me chamou pelo nome, sempre só me chamou de irmão, alguns podem pensar que isso seria pra facilitar, assim se tivéssemos vários irmãos, não precisaria de decorar os nomes de todos, mas não é esse o caso, somos só nós dois, quer dizer, tenho um outro irmão caçula que tenho pouco contato, mas depois conto dele.

Não aprontava com meu irmão por ele ter me feito de cachorro na escola, aprontava pelo simples fato de ser legal aprontar pra cima de alguém, coisa de espírito de porco mesmo.

Certa vez estávamos em casa numa boa, quando decidi que os óculos do meu irmão me incomodavam, são óculos de grau mesmo, ele tem hipermetropia e astigmatismo, alguns anos depois eu descobri que tinha miopia, acho que foi castigo divino, mas por implicância divina continuo não usando óculos. Pois bem, meu irmão depende dos óculos dele pra poder ler e etc. e por ter dois problemas o óculos terminava sendo muito caro e minha mãe sempre cobrou dele que cuidasse daqueles óculos com todo cuidado possível. Eu, incomodado com o mundo, peguei os óculos enquanto ele tomava banho e escondi dentro da estante, mas bem no fundo e atrás de um monte de coisas, onde ninguém pudesse ver. Quando ele saiu e se deu conta que os óculos não estavam onde ele tinha colocado com toda calma do mundo, começou a procurar em outros locais e somente quando não tinha mais onde procurar ele foi perguntar pra minha mãe que já ficou nervosa só de pensar no prejuízo, mas minha mãe teve a calma de pensar que se ele estava com os óculos antes do banho então tinha que estar dentro de casa.

Foi um tal de procurar debaixo das camas e nas gavetas, no chão, embolado na roupa e etc., que minha mãe começou a perder a calma e cobrar a localização com mais austeridade, meu irmão não era fácil de se fazer chorar, era capaz de tomar uma surra de cinto e ficar encarando minha mãe só pra peitá-la, mas dessa vez ele estava ficando desesperado, pois ele sabia que o que estava em jogo ali era muito mais do que uma surra.

Quando notei que a coisa tava ficando preta me propus a ajudá-los, e por sonseira minha fui direto procurar na estante, exatamente onde tinha escondido. Minha mãe ficou só de longe olhando o que eu fazia. Coloquei meus bracinhos miúdos e magrelos dentro do compartimento da estante e lá do fundo tirei os óculos e os levantei pro ar, como se eu tivesse achado uma pepita de ouro. Meu irmão, que era tão moleque quanto eu (1 ano e meio mais velho, lembram?), veio me abraçou e ficou lá me agradecendo com toda a pureza que uma criança podia ter naquela idade. Enquanto ele me abraçava eu vi minha mãe vindo por trás dele pra me pegar já com o chinelo na mão, não deu tempo de fazer muita coisa a não ser empurrar meu irmão pra cima dela e sair correndo pelo apartamento. O apartamento era (e ainda é) muito pequeno então não tinha muito que fazer a não ser correr pra dentro do meu quarto e fechar a porta pra ganhar um tempo. Logo que entrei no quarto fui pra debaixo da cama, e quando minha mãe entrou no quarto só ouvi meu irmão chorando gritando com ela que não poderia me bater, pois eu havia encontrado os óculos dele e que ela teria que bater nele também então. Acho que minha mãe se comoveu com o sentimento piedoso e puro do meu irmão, pois a única coisa que ela fez foi fechar a porta e avisar que eu não poderia sair de lá naquela noite a não ser pra jantar, meu irmão até tentou ficar no quarto comigo, mas minha mãe disse pra ele deixar de ser bobo e retirou ele do quarto. Fiquei lá, debaixo da cama, só imaginando como ela poderia ter descoberto tão facilmente minha armação. Quando me dei conta da minha besteira comecei a me morder o braço todo, como forma de me punir pra não dar tanto mole.

Semanas depois lá estávamos nós dois brincando sabe-se lá de que na frente de nosso apto, quando minha mãe aparece da janela e nos chama usando um tom meio agressivo. Fomos com calma pra dentro do apto, afinal de contas esse poderia ser o tempo que ficaríamos fora do castigo pelo restante do dia, eu ainda não tinha idéia do que eu tinha feito dessa vez, mas com certeza minha mãe havia descoberto. Quando entramos no apartamento ela nos chamou na cozinha e mostrou dentro da geladeira um vidro de catchup que estava virado na parte de cima da geladeira e por conta disso havia caído quase tudo dentro da panela de arroz e assim desperdiçado parte do nosso futuro almoço. A pergunta da minha mãe foi bem simples: “QUEM FOI?”, meu irmão tinha parado do lado dela e por conta disso estava de frente pra geladeira aberta eu estava do outro lado da porta aberta da geladeira e por conta disso não havia visto a cagada, minha mãe repetiu a pergunta pela segunda e última vez: “QUEM FOI?”. Os 3 segundos que se passaram pareciam 3 horas, então meu irmão assumiu a responsabilidade pela besteira e logo em seguida pediu desculpas para minha mãe que sem muito estardalhaço o mandou para o castigo e me liberou para voltar pra rua. Aquele dia meu irmão ganhou o meu respeito de uma forma que nunca mais perderia, aconteça o que acontecesse, a forma como ele assumiu a culpa, estando do lado da minha mãe pra mim era um feito único e nesse dia nem consegui mais ficar brincando na rua, fiquei lá sentado na beira da calçada pensando naquela situação, obvio que por muitas vezes nós saímos no tapa, e sem dó nem piedade eu sentava o braço nele, e apanhava dobrado, mas o fato do meu irmão ter assumido a culpa de algo que ele não tinha feito pra mim foi único, era eu quem tinha esquecido o catchup aberto na geladeira, depois de ter passado no pão pra comer, e meu irmão estava junto na hora e com certeza ele não mexeu naquele catchup, não sei se eu teria o mesmo castigo ou se teria sido algo mais enérgico. Depois que ele saiu do castigo fui contar pra ele que na verdade eu que tinha deixado o catchup aberto, a resposta dele me deixou com um sentimento de culpa maior ainda: “EU SEI.”, e não falou mais nada naquele dia, o fato de eu lembrar isso até hoje mostra o quanto isso me marcou.

Fonte: GUIMARÃES JUNIOR, Armando Rogério Brandão. Contos de Móris. Belo Horizonte: [s.n.], [2010?]. Paginação irregular.

terça-feira, 23 de março de 2010

#EBCx – Encontro de Blogueiros Capixabas no Teacher’s Pub

Hoje em dia um blogueiro capixaba não tem do que reclamar sobre encontros para se confraternizar com outros “da mesma espécie”.

Somente aqui em Vitória – ES acontecem o BlogcampES, o SocialCampES, promovido pelo e-Brand, o Fórum de Mídia Livre e agora o Encontro de Blogueiros Capixabas (ou simplesmente #EBCx).

O Encontro está sendo promovido pelo Panela de Blogs e acontecerá nesta sexta-feira (26/03/2010), a partir das 19:00, no Teacher’s Pub, na Praia do Canto, em Vitória – ES.

Para se inscrever (isso é muito importante!), acesse o Ning do #EBCx e clique em Increva-se Agora!

Para acompanhar, acesse o Twitter: @EBCx e/ou #EBCxbanner-ebcx

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Surge o Panela de Blogs

captura0405 Muito foi falado no ano passado sobre um agregador de blogs do Espírito Santo, eis então que algumas das cabeças pensantes da blogosfera capixaba decidiram por criá-lo, assim surge o Panela de Blogs.

A criação é de responsabilidade de cinco idealizadores: Thalles Waichert (thalles.blog), Emily (Ops! Sem Querer Saiu…), Rogério Lima (Bobolhando/Seu Oscar Clique no Rock), Yuri F. Santos e Daigo (Freaklink). E eles pretendem começar com um doa maiores eventos capixabas, o Carnaval.

Em Vitória – ES, a abertura do carnaval aconteceu no sábado passado (30/01/2010), com o Baile dos Artistas. Nesta sexta-feira (05/02/2010), acontece o Desfile das Escolas de Samba da Grande Vitória, e na outra sexta, começa a maior festa do Brasil.

Como será a cobertura? Bem, é esperar para ver no Panela de Blogs ou nos blogs de cada um. Então, não perca a oportunidade de acompanhar… Depois de pular bastante!

Se quiserem acommpanhar no microblog Twitter, é só seguir @PaneladeBlogs ou então entrem na comunidade do Orkut: Panela de Blogs.

PARABÉNS A TODOS PELA INICIATIVA! QUE ESTA ESTRELA DE CINCO PONTAS BRILHE NO FIRMAMENTO!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Doppelgänger – Parte 1

Há muito tempo comecei a escrever sobre Walter Costa. Eu começaria com um romance, aonde ele e sua parceira, Priscilla, investigam um caso sobrenatural de uma ladrão de faces. O nome do romance seria Doppelgänger, mas não consegui levar a frente, pois queria saber mais sobre o DHPP de Vitória – ES, mas não tive acesso, então desisti.

A ideia era escrever Doppelgänger e dar continuidade as histórias de Walter sozinho, sem Priscilla, que morreria durante um caso. Walter se tornaria um investigador particular e trabalharia com sua antiga colega de faculdade, Cynthia, em casos que beirariam o fantástico. Mas deixei de lado, me dedicando mais a Marcelle Anthemimus, minha vampira.

Daí então comecei este lance de contos com Em Busca do Conhecimento e pensei: Por que não lançar minhas histórias desta forma? Foi então que decidi dividir meus escritos (com exceção de A Grega e Udjat) em contos.

Agora fiquem com a primeira parte de Doppelgänger, e boa leitura.

Doppelgängerdoppelgaenger

Doppelgänger

Era noite no Centro da cidade e um grito se fez ouvir em um dos becos escuros. Um ser encapuzado saiu correndo do local, e quando os mendigos que lá transitavam, em busca de local para dormir, entraram viram um corpo inerte e sem face.

Walter e Priscilla estavam de plantão no DHPP naquela noite sinistra. Não era o que mais eles gostavam, mas não tinham escolha. Quando o telefone tocou, Priscilla atendeu, era um policial que falava de um assassinato no Centro:

- Encontraram um corpo sem rosto em um beco ao lado do Theatro Carlos Gomes. – Falou Priscilla para seu parceiro. Os dois haviam se tornado companheiros de trabalho, assim que Priscilla havia entrado para a Polícia Civil. “Walter já tem anos de experiência, então nada melhor do que juntá-los”, assim falou-lhes seu chefe. De lá para cá, ambos já haviam investigado vários assassinatos, alguns sem fechar, devido falta de provas ou de melhores condições para comprovar o crime.

Walter e Priscilla desceram para o Gol branco que estava parado na frente do DHPP. O carro pertencia a Walter e era uma das poucas coisas que lhe pertencia de verdade, já que morava de aluguel, pois não podia comprar uma apartamento, já que a maior parte de seu dinheiro ia para a pensão que pagava para as filhas, que moravam com a mãe no Rio de Janeiro, e outra boa parte para a bebida, um vício no qual ele não queria largar.

Mesmo filho de um coronel aposentado, Walter Costa nunca quis depender do pai para nada. No seu quarto período de faculdade de Direito na Universidade Federal, se apaixonou por uma estudante de pedagogia que estava cursando o segundo período. Terminou engravidando-a. Largou a faculdade e foi fazer a prova da Polícia, para poder sustentar a família que estava surgindo. O pai achava aquilo um absurdo, mas Walter não deu ouvidos. Após terem a segunda filha, sua esposa o largou para ir morar no Rio, aonde se casou com outra pessoa. Mas ela não abriu mão da pensão das filhas, dizendo a ele que isso serviria para os estudos delas. Depois que foram para o Rio, Walter não mais as viu e sempre fica sabendo de algo, ao conversar com sua ex, que mais briga com ele do que outras coisas.

Quando Walter e Priscilla chegaram ao local, um pequeno grupo de pessoas cercava o local e um fotógrafo batia fotos:

- As cobras. – Falou Walter, em tom baixo, mas aborrecido. – Será que esses fotógrafos são zumbis? – Ele reconheceu o rapaz, trabalhava em um dos jornais locais. Pensou em espantá-lo, mas Priscilla o conteve:

- Vamos nos ater a investigação! – Se dirigindo ao policial. – Relate o que aconteceu.

- Bem, eu estava no meu posto ali na frente, quando ouvi um grito e vim ver o que estava acontecendo. Alguns mendigos já se encontravam em volta do corpo, balbuciando que não tinham culpa de nada. Foi quando eu vi aquela... Coisa, caída no chão, inerte e sem face. Tinha pele, mas não tinha olhos, nem nariz, nem boca, nem orelhas e nem cabelo. Ao sei se é homem ou mulher, pois perece que não tem nada.

- Como assim? – Se aproximou Walter, num tom mais baixo, para não chamar a atenção do fotógrafo.

- Não sei lhe dizer, não tem seios, mas também não parece ter pênis.

Aquilo parecia intrigante. Não demorou muito para o rabecão chegar e levar o corpo.

- Precisamos ir ao DML. – Walter falou a Priscilla, enquanto ele dirigia. – Temos que ver o que está acontecendo.

Ao chegarem no DML, se dirigiram ao setor de necropsia:

- Daniel, o que temos?

- Vieram direto pra cá?

- Eu preciso saber o que tá rolando. Fala. – Então eles se aproximaram do corpo.

- É a coisa mais estranha que já vi. Digo que é um corpo humano, pois é bípede e tem aparência de humano, mas além de não ter cabelo, olhos, boca, orelhas e nariz, não tem mamilos, umbigo, digitais, poros, unhas, pelos e nem órgão genital. Pela altura, poderia sugerir homem, mas é complicado dizer que sim. É difícil até definir a idade. – Olhou para Walter e Priscilla, assustado. – Com o que vocês trombaram?

- Sinceramente que eu também gostaria de saber! – Foi o que Walter falou, mais intrigado do que assustado.

No dia seguinte, quando estavam saindo para ir embora, o chefe de Walter e Priscilla os chamou:

- Que relatório é esse que deixaram na minha mesa?

- Ontem aconteceu um assassinato no Centro e... – Walter foi interrompido pelo seu chefe.

- É, isso eu vi, mas que negócio é esse de sem face? Que papo é esse?

- Se o senhor quiser é só ligar para o DML e... – agora foi a vez de Priscilla ser cortada.

- Olha, eu não quero saber se o DML vai ou não me dizer, eu quero que vocês me expliquem isso daqui melhor.

- Está tudo aí, chefe, não excluímos nenhum acontecimento. Quando chegamos ao local, o corpo estava coberto por um pano, para um fotógrafo não ficar batendo fotos. Dirigimos-nos ao DML, aonde foi constatado que a vítima não tinha nenhuma impressão de ter sido humana ou não, a não ser pela forma de seu corpo. Não sabíamos o sexo, mas pela altura, suspeitamos ser homem.

- Isso é impossível!

- Nós também pensamos nisso. – Priscilla falou. – Mas eu decidi fazer uma pesquisa pela internet sobre algo parecido e não encontrei nada...

- Estou sentindo um “mas” aí, Priscilla. – Argumentou o chefe apreensivamente, Walter olhou para ela sem entender. – Desembucha menina!

- Bem, eu não encontrei nenhum crime que parecesse com isso, mas encontrei alguma coisa sobre doppelgänger!

- E o que seria isso?

- Um ser que imita o corpo de sua vítima, antes dela morrer.

- Espera aí, um ser... Sobrenatural? – Perguntou o chefe incrédulo, enquanto Walter olhava, absorto nas idéias de sua parceira. Priscilla balançou a cabeça afirmativamente. – Você enlouqueceu, Ciprianno? Descartem esta idéia. Não quero saber de comentários aqui dentro sobre monstros ou seja lá o que isso for. Resolvam o caso ou o fechem, entenderam? – Ambos balançaram a cabeça. – Agora saiam da minha sala.

Priscilla parecia envergonhada e Walter, ao seu lado, não parecia ligar para isso. Ela queria ter ficado calada e não ter soltado suas teorias e estudos, mas este sempre fora seu problema.

Quando mais nova, Priscilla Ciprianno sempre fora uma menina muito curiosa. Seu pai a incentivava, comprando-lhe vários livros e levando-a na Biblioteca Estadual, que apesar de um acervo pequeno, sempre pareceu interessante para ela. Quando cursou o Ensino Médio, era a primeira da classe, sendo verdadeiro orgulho do pai. Mas ele meio que se decepcionou quando ela falou em fazer a prova da Polícia. “Será um novo desafio para mim, pai. Assim, eu poderei ajudá-lo a pagar minha faculdade.”, ela lhe explicou assim que se tornou policial. Em breve, era detetive e trabalhava ao lado de Walter Costa. Pena que seu pai não vivera para testemunhar àquilo, morrera um ano antes, devido a um tumor.

Desde que se tornara parceira de Walter, quase sempre ouvia ele dizer, “não poderia ter parceira melhor.”, mas naquele momento ele nada falava. “diga algo, maldição!”, ela pensou. Quando se sentaram, ele ainda parecia estar divagando com os próprios pensamentos. Ela ligou o monitor e então ele falou:

- Aonde você leu sobre isso, Priscilla?

- Naquela enciclopédia virtual...

- Mas qualquer um pode escrever naquilo, não é?

- Sim, mas depois que eu li, joguei o nome em um site de buscas e encontrei várias outras referências, que quase diziam a mesma coisa.

- O que é quase, não pode ser usado como base de investigação. Você, melhor do que qualquer outro, sabe disso.

- Foi somente uma teoria, Walter, nada demais.

- Mesmo sendo uma teoria, podemos investigar. – Ela deu um sorriso. – Eu não estou dizendo que acredito nisso, mas não temos nada e eu não gosto de joões-ninguém mortos no meu turno.