quarta-feira, 17 de julho de 2013

Prole – Quarta Parte

Caramba, desde 2009 que eu não publico uma continuação do conto – que está virando uma novela – “Em Busca do Conhecimento – Prole”. Também foram três anos de faculdade, que me exigiam tempo integral de dedicação, junto com meu trabalho, o que dificultou, e muito, alguma publicação ou mesmo escrever alguma parte a mais de Prole.

Para se orientar e saber um pouco mais, ou mesmo recordar (pois recordar é viver!), leiam a primeira, a segunda e a terceira parte novamente, antes de ler essa nova! Boa leitura para todos!

Colonos italianos chegando na Hospedaria de Imigrantes

Durante todo o almoço, Miguel parecia vidrado em Minerva, enquanto Joshua se entretia conversando com seu bisavô, que nunca conhecera, nem mesmo por fotos:

-... E quando nós chegamos aqui, eu ainda era uma criança de fraldas. Vim a conhecer Ceres quando estudávamos no primário. Ela veio a mim quando tínhamos dez anos e me falou: “Você será meu marido!”, parecia determinada e era isso que gostava nela. Quando crescemos, meus pais me enviaram à capital, para completar meus estudos, quando retornei, nos casamos e montamos família. Acho que é isso!

- Então o senhor é um legítimo italiano? Pensei que tivesse nascido aqui. – Retrucou Joshua.

- Não, meu jovem. Vim com minha família para a cá. Desembarcamos no Porto da capital e com uma enorme caravana, viemos para este lugar, onde fundamos a primeira colônia de italianos... Ah, agora precisarei traduzir para os nossos amigos italianos.

- Se non si preocupa, farei isso pelo senhor. – disse Giácomo, e enquanto ele falava com seu irmão e Miguel – que entendera, mas precisa continuar se submetendo a traduções -, Joshua permanecia a conversa com seu bisavô:

- Para mim, é simplesmente maravilhoso conhecê-lo. Meus avôs sempre falaram da chegada dos imigrantes no estado, mas nunca pensei que conheceria algum de vocês...

- Por que não? Tudo bem que foi no século passado, mas vieram muitas crianças com seus pais, então a possibilidade de vir a me conhecer e a minha esposa, além de muitos outros que aqui residem, era bem possível.

- É verdade. – Joshua disse, sem pensar. – Ainda bem que tive a idéia de virmos para cá.

- Eu pensei que haviam vindos para a cá, por causa de vosso primo. Pois ele queria saber para onde seus descendentes haviam vindos. – Percebendo que cometera um erro, Joshua enrubesceu, mas deu sorte, pois as filhas de Enéias haviam descido. – Ah, as flores da minha vida. Minerva, sabia que estes jovens falam inglês? – Com um belo sorriso em seu rosto, ela respondeu:

- Sim, eu percebi babbo. – Joshua e Miguel trocaram olhares, enquanto ela os observava. – Estou indo à casa de Cassandra, ver uns materiais de estudo. Será que alguns dos senhores poderiam fazer companhia a esta jovem dama?

- Minerva, sabe que não é certo... – Mas ela interrompeu o pai, falando em italiano.

- Il signore Miguel, mi poteva accompagnare, se non ti disturba? 59 – Miguel abriu um largo sorriso e se levantou, respondendo.

- Sarà un grande piacere di accompagnarla. – Olhou para Joshua, que aparentava reprovar, - Se tuo padre per permettere, naturalmente.60 – Terminou dizendo, olhando diretamente nos olhos de Enéias.

- È la non certezza, - viu que a filha lhe olhava com suplica. - ma se il desiderio di mia figlia, mi fido di lei, il signore Miguel. 61

Quando ambos saíram pela porta, Miguel perguntou:

- Dove questa è la casa della sua amica?62 - Parando a frente dele, Minerva lhe olhou com seriedade e falou, em inglês:

- I know very little of this language, but enough to understand that you are not here! 63

- I do not know what you're talking about! 64 – Respondeu Miguel, virando as costas para Minerva. Ela andou graciosamente para frente dele:

- Of where you it’s? Or better, of where you they are? You and it’s cousin… 65 - Aquilo estava constringindo Miguel. Ele sabia que se falasse em português, se denunciaria, por causa de seu modo de falar, além de sentir um a certa atração por aquela jovem, que ele sabia não poder acontecer nada, pois ela era sua tia-avó. Queria que Joshua estivesse ali, para ajudá-lo. Foi então que pensou, esta era a idéia dela, separar os dois. Com certeza, percebera que Joshua era o “cabeça” dos dois e separando-os, conseguiria descobrir o que desejasse. Aquilo fez com que Miguel crescesse em determinação e num jogo de esquivas, ele seguiu seu caminho, esperando que ela lhe mostrasse para onde ir. Percebendo que não conseguiria que ele falasse, Minerva se prontificou a ficar à sua frente, levando-o até a praça da cidade:

- So che stai nascondendo qualcosa e non mi dice, ma io sono molto persistente. 66 – Ela disse, ao se sentar em um banco. Miguel permaneceu em pé, tentando manter sua impassividade. A praça parecia estar deserta, possivelmente as pessoas se preparavam para o almoço.

- Che cosa vuole di me? 67 – Ele terminou perguntando, sem esperar uma resposta agradável.

- Desidero la verità! 68 – Ela respondeu. Seus olhos pareciam duas fontes de brilho verde e apaixonante. A mente de Miguel lhe dizia que ela era sua tia-avó, mas seu coração parecia não se importar, como se fosse seu destino cruzar o caminho daquela jovem e ela o dele:

- La verità? Minerva credere che non si creda la verità ... Scherzi! – Sentou-se ao lado dela. - Le cose non sono così semplici, se sai cosa voglio dire. Non importa quanto mio cugino Joshua parlare con me su di esso, ancora non ci credo, anche. 69

Minerva olhava profundamente nos olhos castanhos de Miguel. Acreditava no que ele dizia, mas algumas coisas estavam inexplicadas:

- Joshua? Ma il nome del relativo cugino non è Josué? 70 – O rosto de Miguel enrubesceu e Minerva percebera a mudança de tonalidade na face dele. Miguel sentia seu rosto aquecer e não sabia o que dizer. O silêncio pairou durante alguns segundos, até ser quebrado por Minerva. – Você fala português, Miguel? – O olhar questionável de Minerva fazia o corpo de Miguel esquentar, ao ponto dele sentir um incomodo calor. Se ele falasse qualquer coisa, ela perceberia que ele entendera o que falara. Sentiu novamente a falta do primo. Então veio algo a sua mente. Sabia que se falasse aquilo, as coisas seriam bem piores, mas na falta do que dizer e com medo que ela o argüisse mais, falou:

- Già avete letto il libro “La Macchina del Tempo”? 71 – Acreditando que Miguel não entendera seu questionamento, Minerva respondeu:

- Sì, ho letto questo libro di recente. Si tratta di un ottimo libro…72

- Eu o vi em DVD! – Minerva tomou um susto com a resposta. Estava intrigada com aquilo e ao mesmo tempo assustada. Não entendera a última palavra, mas percebia que Miguel a compreendia muito bem.

- Você fala português? – Ela gaguejou. – Entendia tudo que os outros falavam? Por quê? Por que escondeu isso de nós, Miguel? – Os olhos de Minerva se marejavam de nervosismo. Ela estava assustada, intrigada e nervosa. Eram sentimentos mútuos que rondavam sua cabeça, quase a deixando incontrolável.

- Sim, eu entendo português, mas não pretendia enganar ninguém. Nem você, nem sua irmã e muito menos seus pais, muito menos Giácomo e Giancarlo. – Miguel estava com vontade de enterrar a cabeça no centro do parque, como um avestruz. “No que você me meteu Joshua!”, ele pensou. – O lance é que nem eu e nem meu primo somos daqui, ou melhor, não somos deste tempo, entende?

Aquilo parecia mais intrigante ainda, mas a primeira reação de Minerva foi:

- Você está brincando comigo? – Ela começou a ficar nervosa, à medida que falava com ele. – Quer dizer que vocês viajaram no tempo? E onde está a máquina de vocês, hein? Encontraram algum Morlock ou quem sabe um Eloi?...

- Olha, sei que não deve ser fácil... Pô, até agora nem eu entendo. Não tem exatamente uma máquina do tempo, é um tipo de portal, que leva as pessoas para outros lugares. Antes, eu e Joshua fomos pra um lugar muito doido, aonde todo mundo falava de trás para frente. Loucura pura! Agora viemos pra cá, pois o Joshua queria conhecer nossos parentes, com quem não teve muito contato na infância... Dá pra entender? – Minerva prestava total atenção em Miguel e quando ele terminou, ela começou a rir. – Do que ‘cê tá rindo?

- Seu jeito de falar, – ela disse entre o riso. – é muito estranho. – Aquilo deixou Miguel desconfortável: “Maldita hora pra contar a verdade.”, ele pensou. Mesmo com a risada dela, Miguel estava encantado. Era uma risada gostosa e prazerosa. Esperou que ela terminasse e quando isso aconteceu, começou a falar:

- Terminou de tirar uma com a minha cara? Então, acho que tu entendeu o que eu quis falar com aquele barato todo, não?

- Olha, pelo jeito que você fala, com certeza não é daqui, mas viagem no tempo? Não acha que está delirando, Miguel?

- Acredite Minerva, bem que eu gostaria de tá brincando, mas num to não. – E começou a contar a ela toda a história, somente dispensando dados relativos à descendência dele e de Joshua e a ligação sanguínea entre ele e Minerva, coisa que ele não queria acreditar que existia.

- Este seu relato é fantástico, beirando o delírio. Então Josué, ou melhor, Joshua tem um amor em outra dimensão, sendo que esta é neta do professor dele? Percebes a loucura do que me diz?

- Minerva, vai por mim, ninguém acha isso mais louco do que eu, mas é a verdade. Quando fomos para Aiarp, nunca imaginaríamos que algo tão louco aconteceria. Vivemos entre eles durante três meses e só ficamos sabendo disso no final de nossa estadia, e foi o próprio Joshua que chegou a esta conclusão, enquanto se encontrava em cárcere. Quando voltamos, ele tentou contar ao professor dele, sobre o fato, mas não rolou, pois o cara só queria saber de fatos ligados a cultura do local e à forma de vida de lá...

- E por que vocês vieram para a cá? Por que não retornaram ao tal local?

- Ah, isso é coisa do Joshua. Ele disse que seria quase impossível termos certeza da época em que havíamos chegado em Aiarp, por isso preferiu vir pra cá.

- Com qual objetivo?

- Oras, conhecer nossas origens, onde nossa família morava e tudo o mais. Como eu disse, Joshua não teve muito contato com nosso avô, então ele veio conhecê-lo.

- Se for verdade, o avô de vocês é jovem ainda, e desde que chegaram, somente estiveram conosco. Quando vós ireis procurá-lo?

- No momento estamos ajudando Giácomo e Giancarlo...

- Ajudando com o quê? Giácomo fala português muito bem, pode cuidar do irmão... Ah não ser que tenham um interesse a mais... Então, qual deles é o seu avô? – Miguel ficara constrangido com o questionamento.

- Você tá indo muito além do que é verdade. – Disse ele, taxativamente. – Só estamos ajudando Giácomo e Giancarlo, nada mais. Se eles fossem mesmo nossos parentes, estaríamos atrás deles, não seria um encontro acidental na estação de trem.

- É, tu tens certa razão nessa avaliação. Bem, quando decidirem procurar seus avôs, eu gostaria de ir junto, se for possível.

- Acho que não vai rolar. – Disse Miguel, com um ar de mistério. – ‘Cê já tá sabendo muito, na verdade, acho que Joshua vai querer me trucidar quando ele souber que a deixei a par disso tudo. Pô, foi uma loucura quando Giácomo descobriu, imagina quando ele souber que ‘cê sabe...

- Mas como Giácomo ficou sabendo?

- Ele nos pegou conversando em português.

- Então existe uma diferença, você me contou, eu não o peguei conversando com seu primo... – Miguel levantou de onde estavam e estava em polvorosa.

- Pior ainda. – Ele disse, ficando-se a frente dela. – Quando ele souber que lhe contei de livre vontade, vai querer me trucidar. – Aquilo parecia um absurdo, ainda mais pelo porte físico dele e do primo, mas sabia que Joshua poderia simplesmente transformar o resto da estadia de ambos num verdadeiro inferno.

Minerva se pôs de pé diante dele, a diferença de altura de ambos era bem perceptível. Ela lhe tocou o rosto preocupado com sua mão macia, segurou pelo queixo e disse:

- Me beije? – Aturdido, ele pela primeira vez ficara sem reação:

- Como?

- Eu quero que você me beije. – Os olhos dela cintilavam um brilho inebriante. – Será que existe algo que o impeça de fazer isso? – “Na verdade tem.”, ele pensou:

- Mas se alguém nos pegar? Tudo bem que na nossa época isso não era problema, mas nosso nonno sempre dizia que as moças não podiam beijar rapazes, pois era um afronta a família da moça e... – Os lábios de Minerva tocaram o dele, suavemente. Ela ficara na ponta dos pés para cometer o ato de beijá-lo.

O beijo dela era quente e confortável. Nada mais passava pela cabeça de Miguel, só queria aproveitar aquele momento. Esquecera tudo, somente se preocupava em sentir os macios lábios dela sobre os dele. Na medida em que ela ia deixando de ficar nas pontas dos pés, ele abaixava o próprio corpo, sem deixar de tocá-la nos lábios. As mãos dela seguravam delicadamente o rosto dele, enquanto ele tocava os longos cabelos negros dela, que passavam pelos seus dedos. O mundo havia parado, mas de repente voltara a se movimentar. Abrindo os olhos calmamente, ele sentia aquela sensação viciante que esquentava seu corpo e gaguejando disse:

- Por que fez isso?

- Porque você fala demais. – Ela respondeu. – E eu queria beijá-lo. – Quando terminou de abrir os olhos, Miguel tinha certeza que uma aura de luz iluminava Minerva, como se ela fosse uma divindade. O cheiro dos cabelos dela lhe davam uma sensação de prazer espiritual.

- Se nos pegam. – Ele se curvou para tocá-la nos lábios novamente. Ela sorriu e concordou com o beijo, que fora menos duradouro que o anterior. – Eu esqueci do mundo agora. – Ele terminou dizendo.

- Então somos dois. – Ela o abraçou como se quisesse apertá-lo. – O que faremos agora?

Traduções (Via Google Tradutor):

60 - Será um grande prazer para acompanhá-la. [...] Se o seu pai para autorizar, é lógico.

61 - Não é o certo, [...] mas se for o desejo da minha filha, eu confio nela, senhor Miguel.

62 - Onde esta é a casa de sua amiga?

63 - Eu sei muito pouco dessa linguagem, mas o suficiente para entender que você não é daqui!

64 - Eu não sei do que você está falando!

65 - De onde você é? Ou melhor, de onde eles são? Você e seu primo...

66 - Eu sei que você está escondendo alguma coisa e não quer me contar, mas eu sou bastante persistente.

67 - O que você quer de mim?

68 – Eu quero a verdade!

69 - A verdade? Acredito Minerva que você não acreditaria na verdade ... Sério! [...] As coisas não são tão simples, se é que me entende. Não importa o quanto o meu primo Joshua fale sobre isso comigo, eu ainda não acredito, também.

70 - Joshua? Mas o nome de seu primo não é Josué?

71 - Você já leu o livro "A Máquina do Tempo"?

72 - Sim, eu li este livro recentemente. É um livro muito bom...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A perda de um herói

Renato Russo em sua música “Love In The Afternoon” começa cantando:
“É tão estranho / Os bons morrem jovens / Assim parece ser / Quando me lembro de você / Que acabou indo embora / Cedo demais...”.
Algumas vezes o destino nos carrega pessoas preciosas que tem o costume de iluminar nossa vida e fazer dela melhor. Os céus exigem esta pessoa que nos dá alegria, para que ele venha a alegrar o reino divino.
Esta manhã de segunda-feira (08/07/2013), através da atriz Lilian Menenguci, tomei conhecimento do falecimento do meu amigo, o ator Gleison Dutra.
Gleison anos atrás lutou contra uma leucemia, fez transplante e conseguiu uma vitória, que exigiu muito de sua saúde. Ele lutou arduamente todos os dias, fazendo o que mais amava em todo o mundo: o teatro.
Gleison era um rapaz com saúde exemplar, ia de bicicleta de sua casa (em Cariacica) até a – hoje – Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música Fafi, que se localiza em Vitória – ES, para fazer suas aulas de teatro, na qual teve graduação no final do ano de 2000.
Eu tive o prazer de trabalhar ao seu lado em duas peças: “Os Pequenos Burgueses”, de Máximo Gorki, e
“O Casamento Suspeitoso”, de Ariano Suassuna. Em ambas, Gleison demonstrou toda sua paixão pelo palco na construção de dois personagens magníficos, sendo que o último, o gago Gaspar, é o que todos mais recordam, pois ficamos em temporada com a peça “O Casamento Suspeitoso” duarente o ano de 2001.
Gleison lutou bravamente como um herói que entra em um combate com o objetivo de vitória. Trabalhou com o diretor, ator e produtor José Luiz Gobbi em vários trabalhos de palco, além de auxiliá-lo como diretor e professor na Escola Leonardo da Vinci, onde dava aula de interpretação para os alunos.
Mas como todas as batalhas, nem sempre elas são favoráveis aos maiores guerreiros. Agora Gleison se encontra no Elísio, auxiliando Dioniso e Apolo, atuando ao lado dos grandes Moliére, Shakespeare, Nelson Rodrigues, e tantos outros. Mas ele nos deixa uma lição que nenhuma batalha deve ser considerava vencida. Que devemos sempre lutar por aquilo que acreditamos e que nos empenhamos a acreditar que é o melhor para nós. A batalha pela vida de Gleison e sua eterna continuidade junto àquilo que ele mais amava, só nos mostra que somos pessoas que devemos crer mais em nós mesmos.
Obrigado por isso, Gleison. Uma vez – durante uma aula na Fafi – falei em sala que considerava a todos como minha família, então posso dizer que sempre te considerei como um irmão, que demonstrou para mim que a felicidade sempre está dentro de nós e precisamos sempre buscá-la, não importa o que aconteça.


ADEUS MEU GUERREIRO!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

VII Seminário de Pesquisa e Prática Pedagógica Saberes


E vamos ter mais dois dias de seminários na Faculdade Saberes. É o VII Seminário de Prática e Pesquisa Pedagógica Saberes, que este ano acontecerá nos dias 27 e 28 de novembro de 2011 (terça-feira e quarta-feira), com apresentações de pesquisadores e discentes da Faculdade Saberes.Nestes dois dias teremos alunos das turmas de História e Letras apresentando suas monografias para o Trabalho de Conclusão de Curso.

Eu mesmo estarei participando da mesa mais diversificada desses dois dias.

No dia 28/11/2012 (quarta-feira), as 18h30, estarei eu compondo uma mesa com mais quatro colegas do curso de História. Na mesa, orientada pelos professores Mestres Roney Marcos Pavani e Jorge Vinicius Monteiro Vianna, teremos Amor Cortês (Dinny de Oliveira Tesch), D. Pedro II (Lucio Rocha Barbosa), Governo do Espírito Santo - Jerônimo Monteiro (Moisés Rosa de Paula), Punk no Brasil (Vinicius Wolkartt Vivaldi) e A Construção do mito do vampiro no século XIX (eu).

No seminário do ano passado, eu dei uma prévia sobre o assunto, falando sobre o imaginário do vampiro nos séculos XVIII e XIX, este ano farei minha apresentação de monografia, tomando como base a obra Drácula, de Bram Stoker, publicada pela primeira vez em 1897. Os dois dias de apresentações estão aberto para todos que desejarem assistir. Abaixo segue a programação completa.

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domingo, 27 de novembro de 2011

Seminário sobre o imaginário no século XIX

Nos dias 21 e 22/11/2011, aconteceu na faculdade que sou discente o VI Seminário de Pesquisa e Prática Pedagógica Saberes. Todos os anos, alunos – como eu – apresentam projetos de pequisa que estão desenvolvendo ou que já estão em finalização.
No dia 22/11. eu apresentei o que pretendo realizar como meu Trabalho de conclusão de curso (o famoso TCC). Este meu trabalho pretende abordar o imaginário do século XIX, tão rico de escritores que se encantavam com o fantástico, como Mary Shelley, Robert Louis Stevenson, Lord Byron, John Polidori, H. G. Wells, Edgard Allan Poe, Sheridan Le Fanu e tantos outros. Mas minha concentração fica em “Dracula”, escrita por Bram Stoker e publicada pela primeira vez em 1897.
A diferença de Drácula para as outras obras com referência ao vampirismo foi o sucesso arrabatador que fez e todo o mito que ronda sobre ele. De cavaleiro que combateu os turcos-otomanos no século XV, com o nome de Vlad Ţepeş, a monstro literário da litaratura do século XIX, a trajetória do personagem passa por um surto de pânico nas Europas Central e Oriental, culminando na exumação de vários corpos que foram mutilados, duas dissertãções por catedráticos da Igreja Cristã-Católica, inúmeros poemas, romances de suspense, peças teatrais, pesadelo, até a obra de fato. Apesar de ter conhecimento do sucesso que possuía em mãos, Stoker – acredito eu – não tinha ideia do quão sua criação poderia ser uma influência e ainda gerar mais mitos em cima do mito. Abaixo segue o texto do trabalho que apresentei e ao final disaponibilizo um vídeo para apreciarem (está meio escruto, mas dá para ouvir).

O fascínio pelo imaginário e fantástico no século XIX através da obra
de Drácula e a construção do seu mito
Drácula é o personagem-título do romance criado por Bram Stoker e publicado em 1897, se tornando o vampiro mais conhecido da modernidade e incitando no mundo a ideia de um ser poderoso e sem escrúpulos, capaz de qualquer coisa para saciar seus desejos. Seu inimigo, Van Helsing, o destrói se munindo de objetos relacionados à religião cristã-católica romana, como o crucifixo e a hóstia, além de usar o alho para afastá-lo e estacas para ataca-lo, crenças populares da Europa Oriental, região rica de mitologia vampírica. Mas antes de Drácula surgir ao final do século XIX, o mito do vampiro chegou a Europa Ocidental através de um surto de manifestações que levaram a investigações da igreja, que realizaram duas dissertações a respeito dos casos, assim como incitou o imaginário de muitos escritores que usaram o mito como base para suas obras.
Para melhor compreensão disso temos o caso de Arnold Paole, soldado sérvio que retornou para casa após um período de serviços prestados na Sérvia Turca, como era conhecido o exército daquela região. Ele comprou terras, se tornou agricultor e casou-se. Mas ele revelou a esposa que durante o período de serviços na Sérvia Turca fora atacado por um upirina[1], ao qual ele perseguiu até o cemitério e o matou. Comeu a terra do túmulo e cuidou das feridas com o sangue na intenção de se livrar dos efeitos do ataque, mas temia que ainda tivesse marcado, como uma maldição.
Paole então morre após um acidente, só que dias após sua morte um surto de visões começam a surgir e pessoas que disseram tê-lo visto, morrem. No 40° dia após sua morte, decidem desenterrar seu corpo. Acompanhados de dois cirurgiões militares, o povo da região aonde Arnold Paole residia abre seu caixão e o encontra como se tivesse sido enterrado há pouco tempo, somente com uma pequena camada de pele velha sobreposta a uma pele nova e com as unhas ainda crescendo. Eles estaqueiam o corpo do morto e ouvem um gemido, além de o sangue jorrar da ferida, mas não para por aí, pois as pessoas mortas, supostamente, por Paole, têm o mesmo fim. Em 1731, quatro anos após as mortes de Paole e suas supostas vítimas, uma jovem disse ter sido atacada por um homem chamado Milo, que havia falecido há pouco tempo. Desta forma o imperador austríaco nomeou o cirurgião Johannes Fluckinger para investigar o caso. Fluckinger se dirigiu a região de Medgevia, ao norte de Belgrado, aonde Paole havia nascido e residido e também local da aparição de Milo, para inspecionar o desenterro do corpo. Descobrindo-o em estado semelhante ao de Paole, foi ordenado o estaqueamento e a incineração do falecido. Numa busca pela resposta do motivo de uma pessoa ter se tornado vampiro depois de quatro anos, fora determinado que Paole houvesse “vampirizado” diversas vacas, sendo este o motivo do mais recente caso. Sendo assim, sob ordens do cirurgião nomeado pelo imperador, várias pessoas que haveriam falecido há pouco tempo foram desenterradas, estaqueadas e queimadas.
Essa pantofobia[2] relativa aos ataques de vampiros que tomou a região das Europas Central e Oriental foram abordadas pela Igreja Cristã-católica romana em dois trabalhos. O primeiro foi realizado em 1744 pelo arcebispo de Trani, região da Itália, Giuseppe Davanzati (1665-1755), que se chamava Dissertazione sopra I Vampiri[3].
Davanzati fora nomeado pelo papa Benedito XIV como patriarca de Alexandria quando a onda vampírica chegou à Alemanha. O bispo de Olmütz, Cardeal Schtrattembach, o convidou para participar das discussões acerca deste surto, que se originara com o caso de Paole, em 1727, daí então escreveu sua dissertação tendo como base os relatos deste caso e de estudo relacionados ao assunto.
Vampiri[4] era uma terminologia do vampir húngaro, que se originara do upír[5], e define o que Davanzati chamou de fantasia humana, com possibilidades de origem diabólica. Na sua argumentação, as aparições vampíricas se realizavam aos camponeses e analfabetos das classes mais baixas, cujo imaginário eram mais tendencioso do que para pessoas letradas. Mas sua dissertação foi superada pela do acadêmico francês Don Augustin Calmet, que escreveu em 1746 a Dissertations sur les Apparitions des Anges, des Démons e des Esprits, et sur les revenants, et Vampires de Hungrie, de Bohême, de Moravie, et de Silésie[6], que fora seu único trabalho a respeito do assunto.
Calmet, como acadêmico católico romano, havia lecionado Filosofia e Teologia na Abadia em Moyen-Moutier e trabalhara em um comentário maciço de 23 volumes sobre a Bíblia, além de tentar popularizar o trabalho de interpretação dela. O papa Benedito XIII chegou a oferecê-lo um bispado, mas ele recusou. A pesquisa de Calmet sobre os vampiros iniciou da mesma forma que a de Davanzati, por conta do surto de aparições que se iniciou em 1727 na Europa Oriental e se alastrou pela Alemanha. Na França não existiam relatos como aqueles, mas o acadêmico ficou impressionado com os detalhes dos testemunhos que corroboravam com a existência do vampirismo e não achava certo que fossem ignorados.
A definição de Calmet sobre os vampiros era que eles seriam pessoas mortas que retornavam de seus túmulos para perturbar os vivos, bebendo de seu sangue e, possivelmente, leva-los a morte. O único meio de eliminá-los seria desenterrando o corpo do suposto vampiro, cortando-lhe a cabeça, estaqueando uma madeira no corpo e queimando-o até que virassem cinzas. Mas Calmet tinha sérias críticas à histeria desenfreada que causou a exumação de vários corpos, aos quais achavam terem sido vampirizados, e suas mutilações. Também amainou o que Davanzati havia escrito sobre o fenômeno atingir somente as classes iletradas, referindo-se ao folclore popular das regiões, o parco conhecimento sobre as alterações dos corpos após a morte e sobre sepultamentos prematuros. Ao fim, Calmet deixa o assunto em aberto, não o concluindo, mas aparentando acreditar na existência de vampiros ao escrever “[...] que parece impossível não apoiar a crença que prevalece nesses países de que essas aparições na realidade provêm do túmulo e que são capazes de produzir terríveis efeitos tão difundidos e atribuídos a eles”[7].
Calmet, ao deixar em aberto a discussão sobre a existência ou não de vampiros, incentivou a busca por respostas a respeito deste ser folclórico que começara a se desenvolver na mente de poetas alemães, tanto que dois anos após a publicação de sua dissertação surge o poema Der Vampyr de Heinrich August Ossenfelder. Após a publicação de Ossenfelder, outros poetas alemães desenvolveram obras semelhantes, como Lenora de Gottfried August Bürger, Die Braut von Korinth de Johann Wolfgang von Goethe. Esses poemas chegaram a Inglaterra na década de 1790, quando William Taylor de Norwich traduziu Lenora para o inglês, que incentivou Samuel Taylor Coleridge a escrever Christabel em 1801 e Robert Southey que escreveu Thalaba the Destroyer.
Dois dos maiores incentivadores da literatura vampírica no início do século XIX foram Lorde George Gordon Byron e Percy Bysshe Shelley, tanto que em 1816, devido ao tempo que não permitia que transitassem pelas ruas de Genebra, Byron sugeriu que fossem escritos histórias de fantasmas para serem compartilhadas entre eles. Entre os convidados estavam, além de Shelley, Mary Wollstonecraft Goldwin, Claire Clairmont e John Polidori. As histórias começaram a ser escritas naquela noite e somente duas ganharam relevância após o encontro, uma delas fora escrita por Mary Goldwin, que mais tarde se casaria com Percy Shelley, e era intitulada Frankenstein. A obra se tornou extensamente popular, pois narrava um cientista que buscava descobrir como reanimar um corpo morto e quando conseguiu, este se torna um monstro, mas somente da ideia de infringir todas as leis da natureza, Mary Shelley, como é mais conhecida, conseguira imputar no imaginário humano a possibilidade de que a ciência era capaz de tudo, até mesmo dar vida aos humanos.
Outro membro da reunião que teve certo sucesso com sua obra foi John Polidori que escreveu o primeiro romance The Vampyre. A obra foi publicada em 1819 no New Monthly Magazine[8], e foi a primeira a gerar interesse dos ingleses pelos vampiros, antes somente interessantes para poetas. The Vampyre se tornou peça teatral na França e incentivou outros escritores a criar obras literárias sobre vampiros, como James Malcolm Rymer, que em 1840 publicou Varney, the Vampyre, e Joseph Thomas Sheridan Le Fanu que em dezembro de 1871 iniciou a publicação de Carmilla na revista Dark Blue[9] em quatro partes.
Carmilla contava a história de uma vampira que atormentava uma jovem e foi esta história a principal incentivadora para a criação de Drácula, pois depois de lê-la, Bram Stoker teve um pesadelo e iniciou o projeto para um livro sobre vampiros.
Impressionado com a abordagem do fantástico pelo escritor de Carmilla, Bram Stoker, que nessa época já havia escrito livros adultos e infantis, decide iniciar uma pesquisa.
Conforme descoberto pelo editor e pesquisador Marcos Torrigo e citado por ele na Introdução do livro “Drácula”, Bram Stoker aparentemente fez parte da Hermetic Order of the Golden Dawn[10], que buscava respostas sobre o imaginário que permeava o século XIX, e que possuía documentos que poderiam ser associados a Vlad Dracul[11], pai de Vlad Dracula, personagem-título da obra de Stoker.
Em um melhor entendimento sobre isso a necessidade do uso de um personagem da história da Europa Oriental na obra de Bram Stoker, cito Sandra Jatahy Pesavento que escreve sobre o imaginário:
“(As) representações teriam, na sua concepção, um fundo de apoio na concreticidade das condições reais da existência. Ou seja, as ideias-imagens precisam ter um mínimo de verossimilhança com o mundo vivido, para que tenham aceitação social, para que sejam críveis.” (S.J. Pesavento, 1995, p.22)
Dessa forma podemos compreender que Stoker ao usar Vlad, que também era conhecido como Vlad Ţepeş[12], busca criar alguma ligação com a realidade, já que este havia sido um sanguinário guerreiro da Igreja Cristã.
Com as informações sobre a família de Vlad e seu passou, e tendo como leitura o livro The Land
Beyond to the Forest
, de Emily Gerard, que narra com detalhes os costumes e tradições da região da Transilvânia, Bram Stoker desenvolveu sua obra. Ele junta as lendas do leste europeu, o envolvimento da Igreja na perseguição a estes seres demoníacos, um guerreiro romeno que lutou contra os turcos no século XV, para criar uma obra que influenciou – e ainda influencia – muitos trabalhos voltados para este tema, criando um mito que permeia o imaginário até os dias de hoje, pois como cita Roland Barthes em seu livro Mitologias: “O mito é um sistema de comunicação, uma mensagem.” (BARTHES, 2010, p.199), e Drácula funciona muito bem neste contexto, pois passa a mensagem da existência do vampiro dentro da sociedade vitoriana, abastecida pelo imaginário do fantástico com obras como Frankenstein de Mary Shelley e O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson, que trabalham a ciência e o ocultismo lado-a-lado. Já o trabalho do mito e do fantástico desenvolvido por Bram Stoker se diferencia e dá mais destaque, pois busca em lendas que já vinham enriquecendo a literatura europeia sua base, usando uma região totalmente rica deste conteúdo, como a Transilvânia.
Bram Stoker não parece desconhecer o que criara, tanto que, com seu sócio e amigos, o ator Henry Irving, lança a peça Dracula, or The Un-dead no Lyceum Theater em 1897, no intuito de garantir os direitos sobre a obra, mas vinte e cinco anos depois, na Alemanha, o roteirista Henrik Gallen e o diretor Friedrich Wilhelm Murnau, apoiados por Albin Grau, diretor da Prana-Film, desenvolvem o filme Nosferatu, Eine Symphonie de Garuens[13]. O termo nosferatu vem do eslavo que significa portador de pragas. A locação se muda da Transilvânia para a cidade de Bremen, na Alemanha, e os nomes dos personagens se alteram, como Drácula passa a se chamar Conde Orlock, mas o filme é nitidamente baseado na obra de Stoker, o que trás problemas para a
película, que sofre um processo de direitos autorais e é ordenado que todas as cópias sejam queimadas, alimentando ainda mais o mito sobre Drácula.
O que alimenta o imaginário acerca de Drácula são todos os trabalhos midiáticos desenvolvidos com base na mitologia por trás da obra, como o sol, o espelho, os objetos religiosos (no plural mesmo), alho, rosas silvestres, sendo que alguns desses já foram desenvolvidos para o cinema, como o sol.
O mito do vampiro ficou mais enriquecido após a obra Drácula, escrita por Bram Stoker, e se tornou um fenômeno, mesmo tendo anteriormente escritores do mais diversos, se baseando neste folclore do leste europeu. Desmentindo Davanzati, podemos ver, com o crescente de obras sobre vampiros, que a influência do mito vai além do imaginário de um povo iletrado e camponês, podendo enriquecer-se na mente até mesmo de eruditos e assim construindo um mundo fantástico.

Referências bibliográficas:
BARTHES, Roland. Mitologias. 5 ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2010.
MCNALLY, R. T.; FLORESCU, R. Em busca de Drácula e outros vampiros. São Paulo: Mercuryo, 1995.
MELTON, John Gordon. O livro dos vampiros: A enciclopédia dos mortos-vivos. São Paulo: M.Books do Brasil, 2003.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Em busca de outra história: Imaginando o imaginário. Revista
Brasileira de História. São Paulo, v. 15, n. 19, 1995.
STOKER, Bram. Drácula. São Paulo: Madras, 2002.

[1] Termo servo-croata para definir vampiro.
[2] Temor mórbido de um mal desconhecido (HOUAISS).
[3] Dissertação sobre vampiros.
[4] Vampiro, em italiano.
[5] Nome dado ao vampiro pelos bielorrussos, tchecos e eslovacos.
[6] Dissertação sobre as aparições de anjos, demônios, dos espíritos e fantasmas e vampiros na Hungria, Boêmia, Morávia e Silésia.
[7] MELTON apud CALMET, 2003, p. 223.
[8] Revista inglesa criada por Henry Colburn em 1814.
[9] Revista inglesa criada por John Christian Freund em 1871.
[10] Ordem fundada em 1888 por Samuel Liddell MacGregor Masters que estuda ocultismo.
[11] Nobre que se tornou membro da Ordem do Dragão em 1431.
[12] Vlad, o Empalador, em romeno.
[13] Nosferatu, Uma sinfonia de horror, de 1922.
Seminário “O fascínio pelo imaginário e fantástico no século XIX através da obra de Drácula e a construção do seu mito”

sábado, 12 de novembro de 2011

VI Seminário de Pesquisa e Prática Pedagógica Saberes

seminárioA Faculdade Saberes ralizará nos dias 21 e 22 de novembro de 2011 (segunda-feira e terça-feira), nas salas da instituição, o VI Seminário de Pesquisa e Prática Pedagógica, cujo o Grupo de Estudo História, Identidade e Cultura o Mundo Moderno (HICMM) estará apresentando seu projeto e seus pré-projetos.

O grupo se apresentará no dia 22/11/2011, as 18h30, como os membros Larissa Silva da Conceição (Ancestralidade e poder: uma análise da realeza na sociedade Iorubá), Lucio Rocha Barbosa (D. Pedro II e o IHGB: A consturção do rei filósofo), André Carlos Luz Guimarães (O fascínio pelo sobrenatural e o fantástico no século XIX através da obra Drácula e a construção de seu mito), Thuanny Nayara Schader Soares (Cultura política e repressão: O AI-5) e Vinicius Wolkartt Vivaldi (O Punk da década de 1980 em São Paulo: censura, pré-conceito e exclusão). Simplesmente imperdível!

quarta-feira, 16 de março de 2011

XIV Semana Cultural Saberes

Saberes Bem, desde o ano de 2010 estou fazendo licenciatura em História na Faculdade Saberes, e todo o ano a faculdade abre espaço para os alunos poderem mostrar seus talentos na Semana Cultural Saberes.

Este ano haverá algumas diferenças, e dentre elas é que o espaço será aberto para pessoas de fora da faculdade poderem estar mostrando seus trabalhos lá. As apresentações poderão ser desde saraus de poesias a apresentações de esquetes teatrais, seguindo o tema deste ano que é: “Cultura, Rito e Linguagens”.

As inscrições poderão ser feitas pelo e-mail criado para o evento: xivsemanacultural@yahoo.com.br, e deverão acontecer até o dia 25/03/2011 (sexta-feira).

Abaixo segue o material enviado a mim pela Coordenação de História da Faculdade… Ah, vale lembrar que também estará aberta para os alunos da faculdade poderem se inscrever.

XIV SEMANA CULTURAL SABERES

Nos dias 12, 13 e 14 de maio de 2011 acontece a XIV Semana Cultural Saberes, com o tema Cultura, Rito e Linguagens. O evento, realizado nas instalações da Faculdade Saberes (Praia do Suá, Vitória, ES), tem como objetivos promover o crescimento acadêmico de estudantes e professores das áreas de Letras e História, assim como oferecer oportunidades de apresentação de resultados de pesquisas e projetos desenvolvidos nessas áreas. Além disso, a Semana Cultural oferecerá espaço para apresentações artísticas, tais como recitais, exposições, varais de poesias e esquetes teatrais.

Os alunos, professores e demais interessados em apresentar trabalhos ou realizar mostras culturais, musicais ou artísticas podem inscrever suas propostas até o dia 25/03/2011. Basta enviar um e-mail para xivsemanacultural@yahoo.com.br, com as seguintes informações:

Título da palestra, mesa, apresentação ou exposição

Nome do autor

Titulação e local de trabalho

Resumo de até 10 linhas

Palavras-chave

Email e telefone (não serão divulgados para os participantes do evento).

Os participantes receberão certificado de apresentação de trabalhos. Não há taxa de inscrição.

As inscrições para ouvintes podem ser feitas gratuitamente diretamente na secretaria da Faculdade Saberes, entre 25/04/2011 e 11/05/2011.

Organizadores:

Profª. Drª. Alacir de Araújo Silva – diretora da Faculdade Saberes

Prof. Me. Thiago Brandão Zardini – coordenador de História

Prof. Me. Weverson Dadalto – coordenador de Letras (Português/Inglês)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Tempo de Amar - Plantando flores no fundo do poço: A História do Pedro

Sempre que recebemos história mentirosas, eu descarto na hora, pois acho um absurdo procurarem "brincar" com a vida alheia, mas dessa vez não foi bem assim.
Hoje (07/01/2011) eu recebi um e-mail de um velho amigo referente à Pedro. Mas quem é Pedro? Ele é um jovem de 21 anos (indo para os 22) que tem uma doença completamente desconhecida. Sua vida foi
desacreditada pelos médicos, mas seus pais, Liane e Manoel, nunca deixaram as esperanças de lado. Sempre numa batalha constante indo aos médicos, procuraram entender o que o filho tinha, mas sempre sem soluções. Então ambos decidiram criar um site com o objetivo de descobrir outras pessoas que poderiam auxiliar a explicar o que estava acontecendo com ele e com isso conseguiram solidariedade e companheirismo nesse trajeto. O site - diferente da mensagem espalhada por e-mail - conta toda a trajetória de Pedro e ainda tem um livro, escrito pelos seus pais, sobre sua história.
Sei que é complicado acreditarmos em tudo que recebemos, eu mesmo sou um eterno cético quanto a isso, mas eu aprendi com meu irmão (Pedro tem uma irmã caçula) que devemos sempre ir atrás das fontes e ao descobrir essa história, decidi me solidarizar e escrever sobre ela. É real pessoal, não é uma dessas mentirar que recebemos constantemente, mas cuidado, pois a mensagem era para ser encaminhada a médicos especialistas. A verdadeira mensagem está no site do Pedro, que tem sua história, e-mail para contato, links para serem acessados, fotos e um e-jornal, além de contar com a venda do livro "Tempo de Amar - Plantando flores no fundo do poço."
Abaixo fiquem com o que deveria estar sendo vinculado no e-mail:

O que aconteceu com o Pedro?

Pedro é o nosso primeiro e único filho. Ele nasceu no dia 3 de abril de 1989, quando tínhamos 26 e 31 anos respectivamente.

Foi um filho muito desejado e amado desde o início. A gravidez foi normal e foi feito todo acompanhamento pré-natal.

O parto foi cesariana, nasceu com 48 cm, pesou 3,430 kg, chorou logo e teve nota 9 de Apgar.

Seu primeiro ano de vida foi ótimo, com desenvolvimento perfeito e nenhuma doença. Sentou com cinco meses, andou com 11 meses, disse as primeiras palavras com 7 meses e antes disso já emitia sons naturais de um bebê.

Com um ano e dois meses, certa tarde, durante o sono, Pedro acordou como que assustado, como se tivesse engasgado. Isso se repetiu por mais alguns dias e fomos ao médico que suspeitou de convulsões. As crises passaram a mais ou menos 10 vezes ao dia e duravam aproximadamente 15 segundos. Ele solicitou alguns exames, inclusive um eletroencefalograma, que não acusaram nada. Mas as crises aumentavam em quantidade e intensidade. Assim, em agosto de 1990, nosso filho foi internado na UTI pela primeira vez, com uma crise a cada 3 segundos. Ficou no hospital 20 dias e saiu com as crises mais controladas. Fez uma tomografia computadorizada, que acusou resultado normal. Foi realizado, então, um segundo eletro, que mostrou foco irritativo no lado direito do cérebro.

Apesar de tudo isso, seu desenvolvimento continuava normal, porém mostrava-se mais sonolento. As crises continuavam.

Três meses depois, percebemos que ele estava sorrindo e chorando menos e que o lado esquerdo de seu rosto parecia paralisado. Em dezembro de 90, fizemos uma Ressonância Magnética de crânio, um exame de Fundo de Olho e alguns exames para detectar Erros Inatos do Metabolismo. Todos os exames foram normais. Nessa época, Pedro já apresentava dificuldade para caminhar e falava menos. Mantinha uma média de mais ou menos 20 crises por dia.

Em janeiro de 91, Pedro foi internado mais uma vez e saiu do hospital sem andar, sentar ou falar.

Em fevereiro, novamente com crises muito fortes, ficou 20 dias no hospital. As crises já duravam 1 min e manifestavam-se a cada 10 min. Nesta ocasião, foi medicado com cortisona e fez vários exames de Metabolismo, porém nada foi encontrado. A habilidade motora dele ficou ainda mais prejudicada. Quando teve alta, não segurava a cabeça, não sentava sozinho e parecia não reconhecer ninguém, além de não fixar o olhar em nada.

O tempo foi passando e com fisioterapias e muito carinho, Pedro foi conseguindo alguns pequenos progressos. Suas crises ficaram um pouco mais controladas, manifestando-se somente durante o sono, aproximadamente 8 episódios por noite e duravam cerca de 1 min.

Nestes últimos anos, repetiu alguns exames, porém nada novo aconteceu. Teve várias complicações pulmonares e tomou muito antibiótico.

Nos últimos meses de 1995, Pedro readquiriu o controle de cabeça e ganhou maior firmeza no tronco. Passou a fixar o olhar nas pessoas e objetos, porém ainda não manifestando desejo de pegá-los. Seu rosto ficou mais expressivo, apesar de ainda não rir ou chorar.

Em janeiro de 96, repetimos a Ressonância Magnética que apresentou-se tal e qual a anterior. Apenas mostrava um cérebro um pouco menos denso do que uma criança de 7 anos, a idade de Pedro na época. Repetimos também o eletroencefalograma, que apresentou-se bem melhor que o anterior, com crises mais localizadas no lado frontal direito. Fizemos, ainda, um estudo de Cariótipo (pai, mãe e filho) e nada foi encontrado. Foi realizada também, uma dosagem de aminoácidos no sangue e uma cromatografia de açúcares na urina.

No começo de 98, Pedro estava muito magrinho (15kg), alimentá-lo era difícil porque se engasgava muito e, conseqüentemente, tinha muitas pneumonias. Seu médico, na AACD, recomendou usar uma sonda gástrica e com ela o Pedro engordou 4,5kg, chegando a 19,5 kg no final de 98. Com este peso ganhou mais resistência, atenção e, de vez em quando, passou a expressar um maravilhoso e tímido sorriso.

Terminou o ano mantendo cerca de 4 crises convulsivas. Desde 95 as convulsões de Pedro têm ocorrido, com maior freqüência, durante o sono, principalmente na madrugada e pela manhã, quando seu sono é mais superficial. Em suas crises estica braços e pernas, gira a cabeça para a esquerda e chora. Duram cerca de 45 segundos. Readquiriu razoável controle do tronco, porém não senta, não fica em pé, não fala, não sorri ou chora. Desenvolveu uma escoliose bastante preocupante.

Atualizações

2000

No dia 4 de junho, Pedro foi internado no Hospital apresentando um quadro de pneumonia com derrame muito grave. Foi feito um dreno para retirada do líquido e permaneceu por 30 dias internado.

2001

Neste ano foram duas internações graves causadas por pneumonia, em setembro e novembro. Foram ao todo 64 dias de Hospital.

2002

Pedro fez uma cirurgia no estômago para eliminar o refluxo, causador de pneumonias. Foram 30 dias de UTI.

Embora Deus não tenha sido citado no e-mail que circula pelo mundo (as pessoas que escrevem para o Pedro reclamam) sempre procuramos estar próximo Dele. O Pedro recebe livros sagrados, bíblias de todas as religiões, orações, pensamentos, etc.

Ficamos 13 anos atrás de um produto milagroso ou um exame que possa identificar o que o Pedro tem e daí seguir o tratamento. Não veio este produto e tão pouco o tratamento. Em todos os exames que o Pedro fez jamais apontou algo que pudesse identificar um tratamento adequado. Recentemente recebemos um laudo médico de um Dr. do Childrens Hospital e o mesmo disse nada poder fazer também nos EEUU.

Por sua vez o Pedro vem melhorando a cada dia, isto é, diminuindo suas convulsões. Por nossa conta resolvemos diminuir as doses de anti-convulsivantes e ele aceitou.

Está mais alegre e às vezes esboça um lindo sorriso.

2003

DIAGNÓSTICO ADQUIRIDO: Insuficiência Respiratória Aguda.

DIAGNÓSTICO SECUNDÁRIO: (O que antes era primário) Encefalopatia grave, Síndrome Convulsiva, Deformidade Toráxica.

HISTÓRICO: Paciente portador de Encefalopatia progressiva sem diagnóstico etiológico, atualmente com evolução estacionada, totalmente dependente de terceiros, com deformidade toráxica, hipotrofia de membros superiores e inferiores de que impossibilita caminhar e sem comunicação verbal com o meio. Tem tido vários episódios de pneumonias de repetição. Foi operado para cirurgia anti-refluxo e atualmente é portador de gastrostomia. A última hospitalização ocorreu por insuficiência respiratória secundária a broncopneumonia; foi atendido em regime de semi-intensiva e vem evoluindo satisfatoriamente, porém lentamente. Em casa, com acompanhamento de Home-Care vem mantendo leve taquidispnéia, em nebulização contínua com oxigênio, fazendo exercícios respiratórios com respirador para manter adequada higienização de vias aéreas, acompanhados por fisioterapia motora e respiratória intensa.

DIAGNÓSTICO DE PAI E MÃE: De alguma forma, cansados, resolvemos parar com as pesquisas, com as tentativas que há 13 anos nos levam em vão para algum lugar.
Nossa maior e infinita preocupação é, se dentro do mundinho dele, pôde perceber que queriamos com todas as internações, exames, agulhas, tapotagens, o bem dele.

Pedro necessita de carinho, de amor e assim ele terá até o fim de sua vida. Nós o amamos assim, do jeitinho que ele quis ser, nosso eterno bebê. Afinal, qual a mãe que quer ver seu filho longe de casa...Deus atendeu nosso pedido.

Este e-mail que circula na internet desde 1997 foi extraido do site que fizemos para divulgar e, quem sabe, conseguir uma resposta para o problema de Pedro. Na verdade, nós nunca enviamos e-mail a ninguém, alguém, muito especial, entrou na página do Pedro e copiou o texto que circula até hoje.
Graças a esta divulgação fizemos muitos contatos e recebemos a solidariedade de pessoas especiais como você. Nosso objetivo em relação ao diagnóstico não foi alcançado até hoje, mas conhecemos a verdadeira dimensão da solidariedade entre as pessoas e isso é fantástico.
No dia 3 de abril de 2009 Pedro fez 20 anos (o que muitos médicos julgavam muito improvável) e somos muito felizes por tê-lo ao nosso lado e por aprender tanto com ele.
A cada dia temos provas de sua força interior e ganhamos mais forças para continuar lutando por ele. este e-mail que você recebeu já deu a volta ao mundo muitas vezes e já mantivemos contato com médicos e hospitais.

Se você recebeu este e-mail peço a gentileza de divulgar o site (http://www.sitelogo.com.br/pedro/jornal/index.html) e contribuir com a edição do livro (http://www.sitelogo.com.br/pedro/index.html).

O que o Pedro necessita?

Durante todos estes anos, não encontramos uma resposta para o que acontece com Pedro. Depois que este site passou ser visto por milhares de pessoas, encontramos muitas famílias que passam por problemas semelhantes, o que nos levou a Novos Caminhos.

Para encontrar uma resposta para o que acontece com nosso filho buscamos diversos caminhos: medicina tradicional, tratamentos alternativos, terapias e desenvolvimento espiritual. Buscando maior desenvolvimento espiritual, temos conseguido equilibrar nossas forças, ganhando cada vez mais fé e esperança.

A medicina tradicional levantou muitas hipóteses: doença metabólica degenerativa, mitocondriopatia etc. Porém os exames, até o momento realizados, nada conseguiram comprovar. Desta forma iniciamos nossa pesquisa, buscando e esperando que em algum momento, em algum lugar do mundo encontraremos a resposta.

Se você quiser ajudar, se for médico ou já conheceu alguma criança com os mesmos sintomas, por favor, nos escreva.

Muito Obrigado,

Pedro Poggetti Lopes Gonçalves,
Liane Geyer Poggetti e Manoel Lopes Gonçalves Júnior São Paulo - SP - BRASIL

Se você deseja deixar alguma mensagem, clique aqui.

"Acho que nunca verei algo tão adorável quanto uma árvore. E alegro-me em saber que páginas HTML as preservam."

Novos Caminhos

Quando iniciamos a página do Pedro, queríamos descobrir casos semelhantes para chegar a uma resposta para o que acontece com ele. Superando nossas expectativas, nestes últimos meses, recebemos centenas de mensagens e fizemos contatos que nos levaram a perceber que o que vivemos, apesar de não ter nome, em muito se assemelha ao que passam tantos outros pais e crianças especiais. Descobrimos muitos outros anjos provenientes da mesma nuvem que Pedro e, ao lado deles, pais dedicados e corajosos que lutam por melhores condições de vida para seus filhos.

Diante disso, aproveitando que a página do Pedro virou uma espécie de "ponto de encontro", projetamos este livro para que sirva de apoio a familiares e pessoas portadoras de problemas neurológicos. Gostaríamos de divulgar as milhares de informações que temos recebido diariamente e de abrir espaço para trocas de experiências entre as famílias.

Pedro, tem nos oferecido as mais antagônicas emoções. São tempos de sofrimento intenso, quando se vai direto ao fundo do abismo e o coração dilacera de tanta dor, e tempos de intensa alegria, quando temos o prazer de sentir a mais sublime emoção e júbilo. É sobre essas emoções e sobre as experiências que nos proporcionaram essas emoções que quero relatar.

Neste livro, também quero contar toda a dor e dificuldade que passamos e que passam muitos casais que, como nós, têm filhos com síndromes ou doenças crônicas e raras. Quero contar como fomos auxiliados e como também, em muitos momentos, nos sentimos extremamente só.

Quero contar da solidariedade de parentes, amigos, pessoas comuns, muitas até desconhecidas, e dos profissionais de saúde competentes e sensíveis que encontramos pelo caminho.