quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Nasce Uma Estrela (2018)


A história da mais nova adaptação de “Nasce Uma Estrela” começa com o cantor de música country Jackson Maine (Bradley Cooper). Após um show, ele parte na busca de um bar para continuar sustentando um dos seus vícios, a bebida.
Maine tem problemas sérios com bebidas e drogas, mas o palco ele consegue extravasar seus demônios. Ele chega em uma boate de drag queens onde conhece a cantora Ally (Lady Gaga), interpretando “La Vie em Rose”, e Piaf. Ally é uma atendente de um hotel de luxo e, nas suas horas vagas, gosta de cantar em um bar de suas amigas. Nessa mesma noite, Jackson descobre que Ally é mais do que uma excelente cantora, pois ela lhe dá uma mostra de uma composição que está fazendo e a convida para ir a um show dele. Mesmo reticente, Ally decide ir e sua música é cantada por Jackson, que a convida a cantar com ele, dando início a sua carreira como cantora.
“Nasce Uma Estrela” é um filme que teve seu primeiro roteiro escrito em 1937, onde uma jovem do interior corria atrás do sonho de ser atriz e é ajudada por um ator famoso que, devido ao vício em bebidas, encontra-se em decadência. A primeira versão foi estrelada por  Janet Gaynor e Fredric March.
A segunda versão do filme foi lançada em 1954, relançando a atriz Judy Garland, que estava há quatro anos sem realizar trabalhos significativos. Ela era uma aspirante a cantora que conhece o cantor em decadência Norman Maine, interpretado por James Mason, que é salvo por ela. Daí em diante, Maine busca lança-la ao estrelato como atriz.
Na terceira versão do filme, de 1976, estrelado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson, ele é uma estrela do rock com problemas sérios de bebida. Seu produtor, interpretado por Gary Busey, o leva a uma boate onde conhece a cantora Esther Hoffman, mas se mete em uma briga com um fã. Esther o ajuda a fugir pelos fundos. Depois de vários desencontros e encontros, os dois se acertam e quando John – personagem de Kristofferson – vê Esther cantando sua música, a leva para seu concerto e a coloca no palco para cantar, iniciando a ascensão dela.
Nesse novo filme a temática segue com os vícios, a ascensão da personagem, mas Bradley Cooper vai um pouco mais além na história. Sim, Cooper ajuda no roteiro, ao lado de Eli Roth e Will Fetters, dirige o filme e faz o personagem central, mostrando que ele consegue ser multifacetado, e impressiona.
Seu trabalho com o personagem Jackson Maine é impressionante e parece extremamente natural. Outra pessoa que me impressionou foi a cantora/atriz – sim, podemos chama-la assim – Lady Gaga.
Sendo bem sincero, nunca me interessei pela cantora e suas músicas, apesar de ter amigos, amigas e amig@s que curtem muito. Para mim, Lady Gaga era mais performática do que cantora. Mas vendo-a sem aquela maquiagem escandalosa e, principalmente, cantando Edith Piaf – dane-se, Piaf é uma cantora F-O-D-A –, sinceramente, decidi rever meus conceitos. Gaga canta muito, e tem uma beleza que, acredito eu, nem ela mesmo conhece. A cantora performática deu lugar a uma atriz que impressiona na interpretação.
Outra coisa fantástica de todo o filme é que, a maioria das músicas cantadas por Cooper e Gaga são de composições deles, ou seja, são músicas originais para o filme. O ponto alto fica para a música “Shallow”, composta por Lady Gaga, Mark Honson, Antonio Rossomando e Andrrew Wyatt, mas as músicas com composição de Bradley Cooper e Lukas Nelson – filho do cantor Willie Nelson – são muito boas também e, para mim, o ponto alto é a música "I'll Never Love Again".

Uma coisa que percebi, sutilmente, no filme foi o assunto sobre depressão. Quem presta atenção aos sinais percebe que o persona de Bradley Cooper, Jackson Maine, tem um leve grau de depressão, mas que aumenta gradativamente. Sua primeira válvula de escape é a música, onde ele pode extravasar, mas quando essa não mostra mais solução, ele busca na bebida e nas drogas. O momento que ele declara ter depressão passa quase desapercebidamente no filme. É uma questão de juntar os pontos.
Não é a primeira vez que Cooper trabalha sobre esse assunto. Em “O Lado Bom da Vida”, que ele trabalha ao lado da atriz Jennifer Lawrence – ambos ganharam o prêmio de Melhor Ator da Academia – também trata desse assunto, mas de forma mais aberta do que em “Nasce Uma Estrela”, principalmente por não ser o assunto central da trama, que é a ascensão da personagem Ally, interpretada por Lady Gaga.
Como já disse, tenho que rever meus conceitos quanto a atriz – que em 2016 ganhou o Prêmio de Melhor Atriz em Série Limitada por “American Horro Story” – e cantora. Gaga mostra todo o drama da personagem. Sua ligação visceral com o personagem de Cooper, sua dedicação e fidelidade a ele, que a descobriu em uma boate. Ela te cativa com sua interpretação como Ally, sem contar que cantando... eu já disse que tenho que rever meus conceitos quanto a Lady Gaga?
O filme tem muita base na adaptação de 1976, mas com menos violência e mais drama, o que já o deixa diferente.
“Nasce Uma Estrela” é um filme para se assistir e pensar que, quando você menos pode esperar, o sucesso pode vir, desde que você demonstre o desejo que isso ocorra.

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