Eu comecei esse projeto há alguns dias, timidamente, com a
personagem de Milson Henriques, Marly, que ganhou corpo e voz com o ator e diretor José Luiz
Gobbi. Depois parti para outra personagem da ficção, que é uma criação em dupla
de Wilson Nunes e Edilson Pedrini (um a concebeu e o outro escreveu as falas
dela), Melani Marques.
Agora o projeto Mini-Biographia toma outro rumo graças a
duas pessoas, a atriz e produtora Karina Americano e Wagner Trarbach, que está
cursando a faculdade de Rádio e TV na FAESA, que entrevistaram para o Dimensão Cultura, o ator, diretor,
produtor, dramaturgo, locutor, professor de teatro, cantor, descobridor de
talentos e – lógico! – criador de Melani Marques, Wilson Nunes. Esse trabalho
foi gostoso de fazer, pois ver a trajetória de Wilson e tudo que ele conquistou
de lá para cá, e simplesmente inebriante. Abaixo você poderá ver o resultado
dessa Mini-Biographia:
Wilson não começou como ator
como muitos devem acreditar, sua carreira se iniciou como cantor em um Festival
de Música em Santa Tereza em 1980, ganhando o prêmio de Melhor Interprete do
Festival com a música “Quadrilha no Arraiá”, forró do capixaba Zé Orlando.
Nesse mesmo ano ele começou fazendo serestas no Álvares Cabral, em Vitória, no
Clube do Português, que se localizava na Serra e no ARCI, em Vila Velha, e foi
assim durante dois anos.
Em 1982, Wilson
Nunes começou sua carreira como ator. Nesse ano ele fez seu primeiro teste com
Milton Neves, criador da Vovó Bina, na Agência Vovó Bina, da Vovó Bina
Produções Artísticas, e iniciou como Papai Noel em eventos natalinos no Centro
da Praia Shopping e Boulevard da Praia, ambos localizados na Praia do Canto, em
Vitória.
Seu primeiro trabalho em
palco aconteceu na peça “O Gato Playboy”, de Paulo Pinheiro, como o Guarda
Real. Ela servia, também, para animar festinhas de crianças, e era assim que
Wilson começava a fazer a construção de suas personagens e suas improvisações,
que são tão conhecidas e esperadas em seus espetáculos. O trabalho de
interpretação, construção da personagem, era totalmente autodidata. Ele
aprendia a ser ator indo assistir espetáculos com os atores e atrizes que já
desenvolviam esse trabalho no Espírito Santo, como Geiza Ramos, Inácia Freitas,
Vera Rocha e Cesar Sampaio, os diretores Milton Neves (que o descobrira) e
Renato Saudino são suas melhores referências como diretores teatrais. Esses já
eram os “gigantes” do nosso teatro e chegavam a intimidar Wilson, devido ao
talento que possuíam, fazendo-o refletir muito em como poderia embarcar nesse
meio que tanto o contagiava e o deixava feliz. Mas com os trabalhos
desenvolvidos ao lado de Milton Neves, Wilson conseguiu embarcar no ramo de
comerciais de TV.
Raridade na
década de 1980, Wilson Nunes conseguiu fazer uma média de cinco comerciais
nesse período, e mesmo sem muita experiência com vídeo, pois cursos em Vitória,
tanto para teatro quanto para vídeo, não existiam, ele encarou e deu certo. Mas
aquela década fora totalmente voltada para o teatro. Depois de “O Gato
Playboy”, foi a vez da peça infantil de Maria Clara Machado, “Maria Minhoca”.
Wilson ainda fez a personagem Halleyzinho na peça infantil “As Aventuras de
Halleyzinho”, escrito e dirigido por Milton Neves, em comemoração com a
passagem do cometa Halley em 1986. Enquanto esteve junto à Turma da Vovó Bina,
Wilson aprendeu a seriedade e o comprometimento com o teatro. Dedicado como é,
Wilson as vezes, para participar dos ensaios com a Turma da Vovó Bina, ia de
Maruípe ao Centro, andando e lendo o texto da peça.
Já na década de 1990, Wilson
Nunes começou estrelando, ao lado de Marlon Christie, Tadeu Schneider e
Gilberto Helmer, a peça “Os Gatos do Beco”, escrito e dirigido por Alvarito
Mendes Filho. A peça se tornou um grande sucesso na época, e foi o pontapé para
o início da carreira solo de Wilson. A peça infantil era uma mistura de Beatles
com o musical da Broadway – de forma bem mais humilde - “Cats”. As
lembranças carinhosas de Wilson com esse espetáculo, vem desde as improvisações
engraçadas dentro do elenco até os acidentes que sofrera, como a queda do palco
do Teatro da Garoto, em Vila Velha, no qual ele saiu mancando, mas sem
descaracterizar a personagem, continuou miando. Após esse grande sucesso ao
lado de Alvarito, Wilson participou de sua primeira peça teatral adulta, “Hello
Creuzodete 2: A Missão”.
Primeiro surgiu o
convite pelo autor Milson Henriques e o ator José Luiz Gobbi, após verem o
trabalho de Wilson em “Os Gatos do Beco”, para um teste. Milson já conhecia
Wilson da época em que ele fazia serestas, e depois de tantas vezes ir assistir
ao espetáculo infantil, o convite foi feito.
No mesmo dia do
teste, Wilson foi contratado para a continuação de “Hello Creuzodete”, no qual
Gobbi fazia a personagem central Marly, criada por Milson Henriques para as
tiras de jornal. Como “Os Gatos do Beco”, “Hello Creuzodete 2: A Missão” também
fora um grande sucesso, estreando no Teatro Glória e depois indo para o Teatro
Galpão, aonde ficou em cartaz com todos os fins de semana lotados, e levou
Wilson Nunes a outros trabalhos.
Ele voltou a
fazer infantil na peça “Pinóquio, O Menino”, que ficou um mês em cartaz no
Teatro João Caetano, do Rio de Janeiro, após a vinda do diretor Rogério Fróes à
capital. Quando retornou, Wilson teve sua estreia como diretor profissional de
teatro em “Minha Sogra 44”, que foi também seu primeiro texto para os palcos. A peça contava a história de Fred e Duda, o primeiro um
funcionário de banco e o outro era um transformista. Ambos eram namorados e
viviam bem, até que um dia recebem o telefonema da mãe do Fred, Dona Carmelita,
que queria visitá-los. Assim sendo, para que ela não saiba do caso de ambos,
eles decidem colocar a empregada Lauriete como esposa do Fred, só que a
mãe deste, cria um grande interesse pela falsa esposa, criando uma grande
bagunça dentro da casa. No elenco, com Wilson Nunes, estavam Célia Sampaio,
Gilberto Helmer e Mauro Pinheiro.
O sistema de
direção adotado por Wilson é muito interessante, pois para estar em palco e
dirigir ao mesmo tempo, ele adotou pedras para fazer a demarcação de cena.
Sendo assim, cada ator era uma pedra, com uma cor diferente, e quando ele
movimentava tinha ideia de como desenrolaria a trama, podendo se encaixar
depois.
Dentro de todos
os trabalhos, Wilson Nunes, após seu sucesso em “Hello Creuzodete II: A
Missão”, recebeu vários convites, dentre eles se tornou locutor. Em um projeto
na Praça Costa Pereira, chamado “Sobre Mesa”, que acontecia em uma grande
estrutura, todas as quartas-feiras ao meio-dia, ele era o Entertainer,
que apresentava os músicos que cantavam, além de divertir àqueles que
transitavam pela praça.
Mas o teatro sempre foi o
foco de Wilson, que voltou a ser convidado por Milson Henriques e José Luiz
Gobbi para encenar a peça “Hello Creuzodete III: A Perereca da Marly”, uma
comédia infantil satirizando o conto Cinderela. Foi nesta mesma época que
Wilson Nunes sofreu sua paralisia facial, duas semanas antes de estear a peça.
Todo o lado esquerdo de seu rosto simplesmente parou, mas ele não deixou de
estrear como Cacilda, uma das irmãs más da “Marly Cinderela”, fazendo uso da
paralisia para composição da personagem. Como anteriormente, A Perereca da
Marly fora outro grande sucesso.
Em 1999, Alvarito
Mendes Filho retorna com o espetáculo Os Gatos do Beco, no mesmo período em que
Wilson começou a dar aula de teatro na Escola de Teatro, Dança e Música FAFI,
por convite do diretor e dramaturgo Erlon Paschoal.
No ano posterior, em 2000,
Wilson estreou “Por Favor, Matem Minha Empregada”, dando vida a socialite
Melani Marques. O texto era de Edilson Pedrini, que apresentou a peça à Wilson
dentro de uma boate. No elenco, além de Wilson e Edilson, tínhamos Altair
Caetano, Eder Faé, Flaviano Avilloni e Stael Magesck. O espetáculo era uma
comédia besteirol que teve público recorde na época de 80.000 espectadores,
tendo sucesso repetido em 2001. Em 2002 estreia “Por Favor Matem Minha
Empregada 2”, com retorno de todos os atores do primeiro e acréscimo da atriz
Alexandra Rosa. Em 2003, Wilson fica somente como diretor da peça infanto-juvenil
“No Tempo do Vinil”, aonde descobre vários talentos como Higor Campanharo e
Léia Rodrigues, que trabalha até hoje com Wilson. A peça é narrada por uma
freira em uma escola de meninas, suas lembranças das alunas que por ali
passaram e dos rapazes que elas vieram a conhecer. O sucesso foi tanto que ela
ganhou o Prêmio de Melhor Peça infanto-juvenil no Festival Nacional de Guaçuí.
Neste mesmo ano Wilson é chamado por Milson Henriques para dirigir “Filho
Adolescente, Pais Aborrecentes”.
Em 2004, Wilson decidi
adaptar a obra de William Shakespeare, “Romeu e Julieta... O Amor Venceu!”,
para o palco do Teatro Galpão, voltando a atuar e dirigir nesse trabalho, ao
lado de alguns talentos que ele descobrira em “No Tempo do Vinil”. Já em 2005,
ele monta “Por Favor, Matem Meu Patrão”, onde fazia uma crítica, bem humorada,
ao descaso das repartições públicas. Em 2006 ele iniciou a montagem de “Minha
Sogra é de Matar”, uma releitura da peça “Minha Sogra 44”, com a introdução de
uma nova personagem, A estreia aconteceu em 2007, sendo que ficou no ano
anterior levando “Por Favor, Matem Meu Patrão” para outras cidades do Espírito
Santo.
Mesmo com “Minha Sogra é de
Matar” ainda em cartaz, em 2008 Wilson volta com Melani Marques, mas dessa vez
ela incorpora Cleópatra na peça “Luz, Câmera... Cleópatra em Ação”. No enredo,
Melani decide fazer um filme sobre Cleópatra, aonde ela é a personagem. Como em
suas outras passadas pelo teatro, a peça se torna um verdadeiro sucesso e leva
a Wilson fazer sua primeira Dobradinha Cultural encenando em um fim de semana
“Minha Sogra é de Matar” e no outro “Luz, Câmera... Cleópatra em Ação”.
Wilson nunca negou
a essência de seus espetáculos, que são besteirol, pois é isso que as torna
verdadeiros sucessos.

No ano de 2010, Wilson volta
aos palcos atuando como Melani Marques novamente na peça “Minha Empregada é de
Matar 3 – 10 Anos Depois...”. Dessa vez, a candidata a socialite decide se
candidatar a Deputada Federal. A peça traz de volta vários atores da primeira
montagem ao lado de novos atores e esteve em cartaz no Clube dos Oficiais, a
partir do dia 26 de setembro de 2010 (domingo), as 19h30.
Wilson Nunes é um
daqueles atores que estima por ser capixaba, sem pensar em fazer carreira fora
do estado, e sua carreira ascende a cada novo trabalho que desenvolve, seja
como apresentador, diretor, ator, descobridor de talentos ou mesmo dramaturgo,
seus trabalhos encantam a todos que acompanham sua carreira. Um excelente
profissional, que respeita a todos que trabalham com ele, desde o ator com quem
divide a cena até mesmo ao contrarregra, ele trata a todos igualitariamente
(posso falar por experiência própria!).
Aqui termino essa
Mini-Biographia, deixando-os com os vídeos que tanto me ajudaram.