quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Crônica: Você já brincou de casinha?


Este ano eu iniciei meus estudos para me graduar em Licenciatura em História, então das várias aula que temos, uma é sobre a construção de texto. Eu já aprendi - assim espero! - a fazer um fichamento, escrevi um artigo - que me ajudou a decidir com que base farei minha monografia - e agora me fez fazer um crônica.
Bem, nunca fui chegado a crônicas, tanto que muitos podem ver que meus textos, em geral, são bem extensos. Gosto mesmo de contos (sendo que "Prole" se encaminha para se tornar uma novela) ou romances, como "A Grega". Mas como isso fazia parte de um teste avaliativo, não tinha como escapar, então, entrando no embalo de meu irmão em "Contos de Mórris", que tem narrado sua infância e adolescência, de uma forma ficcional, decidi escrever sobre o título desse post, então segue abaixo o resultado, que me rendeu uma boa nota =)

Você já brincou de casinha?

Você já brincou de casinha? Acredito que todo mundo já brincou – ou ainda brinca – de casinha, seja com a irmã, seja com parentes, sempre alguém é o pai, a mãe, os filhos e por aí vai. Eu posso dizer, com toda convicção, que já brinquei muito de casinha. Mas não com minhas primas, e eu nunca tive uma irmã, então praticava esse ato na escola mesmo, sempre no final das aulas, esperando minha mãe e meu pai chegarem, e como mais velho, era constantemente o pai.

A brincadeira consistia no seguinte: como pai, eu ia trabalhar e me despedia dos meus filhos (um casal de gêmeos que estudavam com meu irmão), do cachorro (que era o pobre do meu irmão) e da minha esposa (que era uma das filhas das donas da escola, sendo uma delas minha madrinha), que eu beijava – essa era a melhor parte.

Ir para a escola era um martírio, mas tudo valia a pena ao final do dia, quando brincávamos de casinha. O pior era ser pego pela minha madrinha, enquanto eu beijava sua filha, pois a unha dela era tão grande, que o beliscão doía na alma.

Eu fico pensando como isso seria visto hoje em dia. No mínimo meus pais seriam processados por eu assediar as meninas ou seria minha madrinha a processada, por ter me beliscado, mas com certeza não teria o mesmo tom ingênuo daquela época, quando um beijo de estalinho significava o mesmo que andar de mãos dadas.

Hoje, na minha idade, “brincar de casinha” tem um outro significado. É construir uma família, ter um trabalho para sustentá-los, uma casa para abrigá-los e um veículo para locomovê-los, mas na infância, quem disse que isso importava. O legal era chegar ao final do dia, ir ao balanço que representava o carro, olhar para os gêmeos e vê-los como meus filhos, observar meu irmão “de quatro” e acreditar que ele era o cachorro e ver as filhas das donas da escola como sendo minhas esposas a quem eu beijaria. Como era bom ser criança e brincar de casinha... Ou vai me dizer que você não gostaria de voltar a ser criança?